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FLUP 2019 - Apresentação do capítulo

Be water, my friend (Bruce Lee) “Assim é a água” foi um dos títulos de Marcelo Yuka destinados aos concorrentes do grupo que coordenei na Flup de 2019. A canção começa com a colagem de uma famosa entrevista de Bruce Lee. Traduzo: “Esvazie sua mente, seja sem forma, sem forma, como a água. Se você colocar água em um copo, torna-se o copo. Se colocar água em uma garrafa, torna-se a garrafa. Se colocar em um bule de chá, torna-se o bule. Agora, a água pode fluir ou pode bater. Seja água, meu amigo”. Precisei (precisamos eu e o grupo) de muito Bruce Lee para a FLUP de 2019. E talvez isso só me venha à consciência agora. Num sentido, o ensinamento do mestre do Kung Fu esteve presente no aprendizado da construção de narrativas-curtas. Assim como a água se conforma em um copo, uma garrafa, um bule, a linguagem se conforma em um gênero, em diálogo com um texto original. Há nessa conformação os limites do gênero e a autonomia de um texto original. Mas, diferentemente do copo, da garraf...

FLUP: Contos para depois do ódio

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Acabei de receber meus exemplares do livro "Contos para depois do ódio, inspirados nas canções de Marcelo Yuka". É mais um titulo do programa de formação de autores de Flup que entra na roda. Participo como orientador nesse processo desdea primeira Festa Literária da Periferia, em 2012. De lá pra cá já foram 21 livros e mais de 200 autores. Muitos deles já em pleno voo solo, como Geovani Martins, Ana Paula Lisboa, Jessé Andarilho, Felipe Boaventura, Raquel Oliveira, Rodrigo Santos e tantos autores e autoras que passaram por um time de primeiros leitores que tenho a honra de dividir com amigos como Cristiane Costa, Miguel Jost, Fred Coelho, para só citar os que estamos neste livro. Um fato importante nessa história é que autores, que já sentaram nos bancos de formandos das primeiras Flup, atualmente estão entre os formadores. Sinal de que devo me aposentar em breve... Sinal também de maturidade e autonomia do processo. O livro de hoje não deixa dúvida! A Flup ...

Video Sinais no projeto "Art in Quarantine"

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Recebi hoje o email confirmando particiação do meu video caseiro "Sinais", que fiz a partir de texto que puliquei há uns dias aqui, no projeto "Art in Quarantine". Gostei de estar lá e, especialmente, gostei desse lá . O  wr3d1ng d1g1t5  é um "colectivo de artistas #visual #digital #experimental #transdisciplinar dedicado à exploração disruptiva de pontes entre as artes, curadoria e investigação criativa". Vale muito conhecer seus trabalhos. Siga: http://wreading-digits.com   "Sinais" ficou no ponto 5950.

José(hífen)Rubem Fonseca

Seja no extermínio de um pedinte, no esquartejamento de uma vaca atropelada, na caça a balões, ou nas agruras de escritores e artistas, a fome se revela, no plano do corpo ou do espírito, como essa vontade de arrancar com os dentes a vida. A vida é curta, sempre foi. Talvez, esses tempos de pandemia possam apenas chamar a atenção de forma mais dramática para esse fato. Dirá outro poeta, Vinícius de Moraes, “que seja eterno enquanto dure”. A pressa nas redações, na cama, na mesa, no trabalho,  aparece então como um sintoma cruel da sociedade que Rubem Fonseca critica em sua obra. Seja na incapacidade de contemplar e de se entregar à vida compartilhada nas ruas (o que não se deve absolutamente a um vírus ou outra causa biológica) ou na leitura de um livro feita nas coxas, não é essa pressa exemplo da voracidade com que se pode devorar a vida, mas justamente o contrário. Nela perdemos a sua eternidade.  Saiu hoje na Revista Trama, texto meu e de Andressa Marques sobre Rubem ...

Rubem Fonseca

Trecho de matéria de Bruno Calixto que saiu hoje no Globo A matéria completa está aqui . Pesquisadora desvenda os vários 'Josés' na obra de Rubem Fonseca Para seu mestrado, defendido em 2013, a professora de literatura e pesquisadora Andressa Marques Pinto realizou um mapeamento de personagens de Rubem Fonseca que tinham como nome José, que é o primeiro nome do autor, mas pouco conhecido do público. - Pelos íntimos, ele costumava ser chamado de Zé Rubem. Com o mapeamento, pude perceber que a personagem José, do conto "A matéria do sonho", do livro Lúcia McCartney (1967), é protagonista também de outros contos, como em "A força humana", do livro "A coleira do cão" (1965), mesmo que não nomeado. Busquei demonstrar que a personagem passou, ao longo da obra, por processos de subjetivação diversos, até culminar numa espécie de autobiografia do autor, intitulada "José", livro publicado em 2011, como "desenvolvimento...

Leio "O amor", de Maiacovski, na Páscoa de 2020

Uma crônica de Carlos Augusto, sobre "venta não"

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De olho na poesia - Crônica de Carlos Augusto Corrêa Crônica de Carlos Augusto Corrêa Publicado originalmente no Blog da TextoTerritório. https://textoterritorio.blogspot.com/2020/04/de-olho-na-poesia-cronica-de-carlos.html De Olho na Poesia Alexandre Faria é desses poetas que trabalham exaustivamente a palavra e fazem uma arte elíptica. Mas elíptica ao extremo. Estou com um livro seu aqui sobre o qual já falei há muito tempo, o venta não, com minúsculas mesmo, e que é prova maior do que acabei de escrever. Seu texto conversa com a realidade externa. A Alexandre interessa o mundo essencial, de modo que as coisas superficiais se juntam a esse mundo essencial e se tornam universais. Trago aqui o primeiro poema do livro e vão reparar na inquietação de Alexandre com o ato de gozar cada momento da existência. Ao mesmo tempo frisa ser impossível penetrar o mistério. A pessoa frui o presente mas não reúne condição de estar além das horas investigando o que há além do mundo mate...

Oráculo - ready-made sonoro

Oráculo - ready-made sonoro Alexandre Faria Oráculo é um ready-made sonoro. Gravação ambiente e sintetização de voz: Alexandre Faria Imagem da capa: Ilustração moderna do vetor com partículas azuis em um fundo escuro .

Lembranças de uma turma de teoria literária

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Em 2018 ofereci uma disciplina (Tópico em Estudos Literários I) na Faculdade de Letras da UFJF, que me rendeu discussões muito boas, trabalhos bem instigantes e deixou alegres lembranças. Café da manhã com a  turma no último dia de aula. Foram leituras de teoria focadas nos conceitos de mímese e produção de presença associadas a textos literários em prosa e verso. A turma tinha vários alunos do Instituto de Artes e Design. Combinamos que os trabalhos finais seriam livres e que os(as) alunos(as) apresentassem-nos na forma que desejassem. Outra forma de avaliação foi um diário de aulas, no qual os(as) estudantes registravam reações a cada encontro presencial que tívemos (dois por semana). Havia bastante liberdade para a construção dos diários e suas leituras foram bastante reveladoras sobre o processo de ensinar/aprender teoria literária.  Guardei comigo, de presente, uma página do diário de Vinícius Oliveira:  Página do diário de aulas de Viní...

Carolina Lemonge

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Aqui , a gênese desse trabalho. 

Por que escrevo?

Por que escrevo? Alexandre Faria (Texto publicado originalmente no Blog da editora Texto Território, em 18/10/2019) Escrevo porque a ilusão precisa de desilusão. Há que se discernir, em meio à canalha, quando a chantagem se vende como lealdade. Escrevo porque sempre houve, há, haverá, corpos torturados em porões, em presídios, em tesourarias, em escolas, hospitais, templos, em famílias e em mentes imaginativas que aceitam, como realidade, o que está dado. Escrevo porque a realidade é fruto da mais absoluta imaginação. E os cães engravatados vão continuar apostando nas torturas para defender seu mundo.

Literatura Marginal – o conto

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Este conto foi originalmente publicado em 2009, em três partes, numa espécie de microfolhetim, no site TextoTerritório, que hoje não está mais no ar. Em 2015, apresentei-o no Seminário " Modos da Margem: figurações da marginalidade na literatura brasileira ", como  reflexão crítica no âmbito da pesquisa “Representações da identidade no discurso literário da periferia”, que coordenei  na Universidade Federal de Juiz de Fora, UFJF.  Está publicado em formato e-book kindle na Amazon.

Antiode para o Rio de Janeiro em 23 de abril

Este poema é de 23 de abril de 2014. Republico hoje. Salve Jorge!!! Antiode para o Rio de Janeiro em 23 de abril Hoje de madrugada nos subúrbios de minha cidade Eu teria sido acordado pelo tiroteio das cangalhas A frouxa sensação de que pertenço ao dia A quase alegre comunhão imaginada dos solitários Apaziguariam essa ânsia de minerar o outro Mas as minas me subtraem feriados Não largo a lida da forja Das ferramentas de reinventar Dragões E viro dragão Contra a lança dos nerds E o calabouço fluxo cadafalso Da informação o amém silencioso Ante as gulag sem muros de cracudos E a desova dos amarildos E viro dragão Cuspo meu hálito cru Contra os toninhos casamenteiros As filhas de maria caçarola Os pais do meu sopão primeiro E a caridade da farinha pouca E viro dragão Para te saudar Santo que me enfrenta Ouro que me inventa Em mil fogos de artifícios Para não esquecer as ofensas Para não calar as demandas Para acordar o sono dos justos No tr...

A propósito do racismo na literatura

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As facções estão aí. Basta pintar a grana dos banqueiros que qualquer curadoria aciona uma ADA da vida. Amigos brancos e neobilacs prá lá. Amigos pretos e periféricos pra cá. Perde sempre a pesquisa (será possível?) sobre a poesia brasileira contemporânea. Perde mais ainda a leitura. Perde tudo a crítica! Em 2013, eu e Oswaldo Martins organizamos o livro Outra - poesia reunida no sarau Manguinhos . No texto de apresentação do livro demarcávamos esse campo minado onde até hoje tem gente perdendo o pé. Vale a pena republicar aqui. Muitas já foram as coletâneas organizadas a partir da produção poética e literária de espaços pobres, populares, ou periféricos na última década – não por acaso, a mesma década em que, desde a abertura política e a volta da liberdade de voto e de expressão no país, conseguimos levar mais longe a experiência da democracia e da cidadania. A consciência dos direitos civis e da participação popular na construção da esfera pública atingiu territórios ...

Sobre Chico Buarque na FLIST 2019

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Sábado, 27, vou falar sobre Chico Buarque na Flist - Festa Literária de Santa Teresa. Revejo aqui algumas coisas que já escrevi sobre o cantor, compositor, dramaturgo e escritor: 1) Sobre "Roda viva" -  http://www.chicobuarque.com.br/critica/crit_roda_faria.htm 2) Sobre "Estorvo" - http://www.chicobuarque.com.br/critica/crit_esto_faria.htm 3) Sobre "Benjamin" -  http://www.chicobuarque.com.br/critica/crit_benj_faria.htm 4) "Severinos e Iracemas: uma leitura do Brasil em fotos de Sebastião Salgado e canções de Chico Buarque". In: Verbo de Minas: Letras. v. 5, n. 10. CES/JF: Juiz de Fora, 2006. https://seer.cesjf.br/…/verboDeMin…/article/viewFile/751/602 5) "Budapeste, ou a inversão de babel". In: Alguma prosa. Giovanna Dealtry, Masé Lemos, Stefania Chiarelli. Rio de Janeiro: 7Letras, 2007. https://www.7letras.com.br/alguma-prosa-ensaio-sobre-litera… 6) "Leite derramado: antípoda da literatura ma...

Sem respeito, de Byung-Chul Han

O texto a seguir é o primeiro capítulo do livro No enxame , de Byung-Chul Han (Vozes, 2018). Minha sugestão é apenas trocar-lhe o título: O que é Golden Shower? Uma explicação teórica para a atual realidade política Respeito significa literalmente olhar para trás [Zurückblicken]. Ele é um olhar de volta [Rücksicht]. No trato respeitoso com os outros, controlamos o nosso observar [Hinsehen] curioso. O respeito pressupõe um olhar distanciado, um pathos da distância. Hoje, ele dá lugar a um ver sem distância, caraterístico do espetáculo. O verbo latino spectare, ao qual espetáculo remonta, é um olhar voyeurístico, ao qual falta a consideração distanciada, o respeito (respectare). A distância distingue o respectare do spectare. Uma sociedade sem respeito, sem o pathos da distância, leva à sociedade do escândalo.  O respeito é o alicerce da esfera pública. Onde ele desaparece, ela desmorona. A decadência da esfera pública e a crescente ausência de respeito se condici...

Canta forte, canta alto - Contos da FLUP baseados em cações de Marinho da Vila

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Duas percepções se somaram durante meu trabalho de orientação e seleção das narrativas curtas criadas pela minha turma da FLUP/2018. A primeira delas, de alegria, veio do prazer de revisitar o cancioneiro de Martinho da Vila. O tom maior e a positividade das canções inspiraram não só os contos, mas também o meu trabalho de orientação. Tivemos encontros presenciais e à distância num clima de cordialidade e confiança. Essa espécie de cidade inventada, uma utopia aqui e agora que é a FLUP, combinou muito bem com o Rio de Janeiro possível e esperançoso que Martinho canta. Vi os contos, os que foram e os que não foram selecionados, irem nascendo e se transformando, apontando para caminhos muitas vezes inusitados, alguns empenhados, inclusive, em manter uma relação tensa com as canções originais, a partir da cidade real. A violência apareceu obrigatoriamente. Vieram à tona também as vozes de grupos emergentes (insurgentes?), em especial as de negros e dos homossexuais. A segunda percepç...

Um autógrafo de Giovanna Dealtry

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Última terça, mexo em papéis antigos e encontro um original do Anacrônicas . Na última página, um comentário de Giovanna Dealtry, do momento em que terminei o livro  (o original é de 1999 e a primeira edição de 2005). Leio com ternura e emoção as palavras de quem via, desde então, o escritor,  mais do eu mesmo o via. Contar, por todos esses anos (e lá se vão mais de 10!), com amizade dessa guerreira é dos privilégios o maior. Na época da criação do Anacrônicas , fazíamos uma oficina de escrita, e de crítica dos nossos escritos, eu, Giovanna e Claudia Chigres, outra amiga cuja conversa e afinidade o tempo e a distância não interrompem. A amorosidade sem concessões com que nos líamos consolidou laços que estão até hoje fortes dentro de mim. Além desses laços, ficaram os contos que escrevemos. Alguns Cláudia publicou no  Como se .  Os outros guardo inéditos nalguma gaveta de um HD.  
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Microfolhetim poético para stories das redes sociais.

As acácias

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https://www.imdb.com/title/tt1754078/ Motoserra na memória E a madeira das acácias Vira carga no retrovisor A língua mínima O som das máquinas Educam o olho Ainda que parco Tampa de garrafa térmica Eros inflama