sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Abraço da UERJ

É hoje o abraço da UERJ!!!!!
Estou no trampo em JF. Não poderei ir. Deixo então aqui uma reflexão para que quem puder vá.
A UERJ foi uma das casas por que passei para me tornar quem sou. Nela fui aluno e professor substituto (na FFP). Me formei e trabalhei para a formação de pessoas e, mais ainda, tenho amigos de diversas áreas que lá se formaram. Não sou tão ligado às instituições, mas às pessoas é inevitável não se ligar. Estou lembrando agora dos vários amigos que tenho e que têm em comum comigo a UERJ. Cada um deles fez e faz diferença na minha vida, cada um deles, à sua maneira, demonstra uma capacidade diferenciada de interferir no cotidiano, de compreender o mundo, de pensar e de RELATIVIZAR.
O descaso com essa instituição que abrigou/abriga, ensinando-aprendendo, esses amigos de que me lembro agora, não é, não pode ser - basta usar a lógica para perceber isso -  resultado de uma crise econômica ou administrativa. É reflexo de uma crise (mudança) de valores sistematicamente programada para empobrecer o espírito dos profissionais capazes interferir no cotidiano da cidade. A negação dos recursos materiais básicos para a manutenção do bem estar nos aproxima da luta mais miserável que a espécie humana experimenta desde sempre, a luta pela sobrevivência.
Por enquanto, ainda somos aqueles que vão para a luta dispostos ao ABRAÇO, porque temos aquela capacidade diferenciada de interferir no cotidiano, de compreender o mundo, de pensar e de relativizar. Minem as escolas e universidades que em breve não saberemos mais reconhecer e compreender os problemas. Teremos apenas inimigos e o nome de Deus.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Alexandre, o Faria - de Carlos Augusto Corrêa

Crônica da coluna Chão de Praça, no Facebook de  5/1/17

                       Carlos Augusto Corrêa

                          Alexandre, o Faria

Ele não é amigo que vejo todos os dias. Ao contrário, fiquei anos sem vê-lo mas um dia fiz contato com Alexandre, o Faria, pelo Face e como nossa amizade não é feita só de escritos na telinha resolvemos matar saudade tendo um encontro num barzinho lá de Higienópolis. E lá fomos. Encontrei Alexandre sorridente e comedido e ao mesmo tempo com o ar bonachão de sempre. Por isso ele me olhou com a mesma cara de amigo dos anos 90. Resultado, aquele abraço, a alegria pela relembrança dos tempos em que eu ainda estava em excelente "forma". Um vê as marcas de expressão do outro, ele bem mais novo do que eu, e sente que as marcas nada significam para a realidade e a permanência de um sentimento. Que tal sentimento espontâneo e sólido não envelhece. Será que as Parcas, essas deusinhas gregas que só sabem governar as horas, sabiam disso? Aliás, elas foram generosas conosco porque nossa expressão facial não está tão marcada assim por elas.
Vejam bem, andei perdendo na vida dois amigos diletos. Andávamos juntos, frequentávamos um a casa do outro e de repente um mal-entendido causou a separação. E para sempre. Doeu muito, sobretudo porque  fiquei catando (não de quatro) o motivo. E se houve, pensei, será que foi o bastante pra desnortear o que ia tão bem e prometia ser forever? Tínhamos quase o mesmo convívio de Serena e Blair. Não foram decerto um calabar do tipo delator premiado, essa versão atualizada do amigo da onça. Mas, insisto, doeu.
Com Alexandre Faria e mais uns raros não foi assim. Ele veio a meu círculo de companheiros, viu e ficou. Garanto que a exemplo de mais uns quatro e cinco Alexandre é Magno como amigo.
Quando o conheci, ele ainda começava a fazer poesia. Talvez já tivesse um livro de poemas, não estou bem lembrado, mas me dava a entender que desejava prosseguir carreira. Muitas vezes o via lendo cabisbaixo, sempre pesquisando, parecia também até estar fazendo uma leitura mais ampla da própria vida, e não só do objeto de pesquisa.
Hoje, mais maduro, já edita livros por uma editora, a Texto Território, que fundou com um de seus grandes amigos, o Oswaldo Martins, divulgando a poesia novíssima e a daqueles veteranos que não aparecem com destaque na mídia. Além disso, sua promessa de fazer poesia profissionalmente vingou, ele já é autor de alguns livros bem pessoais, a propósito.
Portanto, declaro e nem precisa ser alto e boníssimo som: Alexandre é esse tipo de companheiro que em minha vida aparece bissextamente para ser ... Amigo. E nem necessita de ser a sete chaves, basta uma papaiz potente, pois ele não se afasta.
Há muito lhe devia essas palavras simples, até, acho, simplórias, mas escrevo-as com uma ternura de companheiro que não se afasta da luta nem dos que merecem.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Um inseto, de Rogério Batalha

para Alexandre Faria e Oswaldo Martins 

ontem
abri o peito
(dentro)
vivia um inseto amarelo
(sobre meus escombros)
a ele dei o nome de:
canto.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Lipogramaspiração

                                     tinha uma
tinha uma
tinha uma
                                     tinha uma
nunca me esquecerei
tinha uma
tinha uma

                                     tinha uma

domingo, 16 de outubro de 2016

Dia dos professores Lado A e Lado B

Dia dos professores - Lado A e lado B.

Ano que vem contarei 30 anos desde quando entrei numa sala de aula, para ensinar redação, num pré-vestibular que o Sergio Vieira organizava. Eu não sabia o que estava fazendo. Mas ele, o Sergio, meu professor então, que depois se tornaria meu compadre, na época, sabia mais de mim.

Hoje, vendo os posts todos do facebook, entrei numa de fazer balanço. Sinal dos tempos, de quem quer começar a descer a ladeira em paz.
Pois bem. Desde então, aquele não saber o que estava fazendo se tornou escolha profissional consciente, determinada, que me levou a jogar pela janela 13 anos de um emprego "garantido e seguro no Banco do Brasil", e dar o rumo que me trouxe aqui onde hoje estou.

Queria contar essa história com 2 canções. Elas falam de artistas, mas, se repararem bem nas letras, qualquer professor pode se sentir nesses lugares.

LADO A:
Parceiros (Francis Hime e Milton Nascimento)

Com essa homenageio todos os meus. São aqueles que não ouso mais nomear num post rápido como este. Mas que se eu tivesse tempo de rastrear meu coração com calma começaria uma lista enorme aqui agora mesmo. Tenho certeza de que se você se souber e se sentir nestes versos, será um deles:

"Falando de amor e outras rimas
Contamos com a força de muitos
Colocando voz nesses olhos
Que chegam pra nos encantar
E as vozes se tornaram tantas
Que não há mais palco ou plateia
A gente que canta conosco
É o PRESENTE que deus nos legou."

LADO B:
Febril (Gilberto Gil)

Essa não posso oferecer nem compartilhar. É coisa de intimidade, lado B mesmo. Mas também creio que muitos entenderão do que estou falando:

"Como se o salão repleto fosse um deserto
E eu fosse mil
Mil troncos de árvores velhas
Árvores velhas de pau-brasil

Tanta gente, e estava tudo vazio
Tanta gente, e o meu cantar tão sozinho
Todo mundo, mundo meu
Meu inferno, meu céu
Meu vizinho"

Seguem os links:

https://youtu.be/GVqxQroImPE

https://youtu.be/f6yTyNC9H-M

sábado, 3 de setembro de 2016

Que tempos são esses, Brecht?

Não existe uma teoria do tapa na cara. Pelo menos para quem o leva. Da mesma forma, por mais que dramaturgos, atores, críticos, historiadores da arte pesquisem a e teorizem sobre o teatro épico, as ideias do dramaturgo, poeta e encenador alemão Bertold Brecht (1898-1956) são refratárias à teoria pura. Pelo menos para os espectadores, não há lugar melhor para a percepção do teatro épico do que no corpo a corpo com a cena e com os atores. 

Se você conhece a teoria, mas pouco a experimentou em cena; se não conhece e quer conhecer; se não conhece e gosta de teatro; se não gosta de teatro, mas quer saber o que faz no mundo... não importa. Vá assistir à exposição "Que tempos são esses?", que fica no CCBB do Rio só até dia 19/9.
Acabei de chegar de lá e foi uma experiência única. A intensidade com que a Companhia Ensaio Aberto nos faz viver as ideias de Brecht é indescritível. O espectador entra na exposição e, se houver o mínimo de consciência política, de sensibilidade estética, ou de vergonha na cara, sai transtornado. E transformado. Fui e volto. Fiquei com vontade de levar os alunos e de indicar para os amigos. Todos. Também para os inimigos e os em cima do muro, principalmente. Imperdível.

O título do programa dá conta do recado. "Que tempos são esses?" é uma pergunta que não se cala. 60 anos após a morte de Brecht, 71 após o fim da II Guerra, ainda devemos nos perguntar se de fato acabou aquela Era dos Extremos, que o historiador Eric Hobsbawm queria que tivesse sido um "breve século XX". A necessidade e a atualidade de Brecht respondem: ainda não saímos de lá. A bondade e a liberdade ainda não são supérfluas. Por esse motivo, também vale conferir, além da exposição, todo o projeto multidisciplinar, que inclui um seminário internacional, uma mostra de filmes, oficinas e um ciclo de leituras. Confiram na programação o que ainda dá para aproveitar. Fica aí minha dica pra gente ver se o homem ainda consegue ser amigo do homem.