quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Se oriente


(para clarice, que me deu folhas em branco. também para pedro, fernanda. e capilé)

nos olhos do que deixa
não do que abandona
miro meu dia e digo amor
como se todo num sólido
com vaga certeza o espaço
descrevesse meu giro

daria um poema em holocausto
para cada hora cujo silêncio
rendeu-me da tese um bom futuro
mas nunca passaram de quinta na esquina
as utopias os manos e as minas
nunca passaram nunca passarão

hoje poemas e teses soam iguais
e temo por em verso o mês presente
a vida espacial o dó menor
que é fazer-se todo num só
apenas sigo o que deixa
nunca o que abandona

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Búlica, de Elesbão Ribeiro


para alexandre faria 

as calçadas eram largas
um dia
chegaram uns homens
pretos brancos e mulatos
com muita força
nas picaretas
quebraram as calçadas

dentro daquele sulco
puseram uns canos
atarraxaram os canos
cobriram
e foram embora

naquele leito de terra
jogávamos bola de gude

um dia meu pai anunciou
o prefeito mandou cada morador
ajeitar a sua calçada

sábado, 30 de novembro de 2013

Silêncio e caos, por Vilma Costa

Venta não, de Alexandre Faria, reúne noventa poemas subdivididos em dois grupos. O primeiro, “tudo muito sempre”, possui oitenta e um poemas. O segundo, “o pai era um”, agrupa os nove restantes, cada qual formado por nove versos. Há uma estrutura diferenciada entre os dois blocos, tanto do ponto de vista formal quanto de conteúdo semântico. A numeração desses textos, e não as páginas do livro, chama a atenção pelo rigor linear e crescente do primeiro bloco (1 a 81), enquanto os nove últimos se apresentam em ordem inversa (de 90 a 82). Podemos considerar que a ordem numérica quebrada com a segunda parte do livro, além de estabelecer um corte entre as duas, põe em questão a equação matemática. Sugere que o livro é para ser lido não apenas do início ao fim, mas do meio ao fim, do fim ao início, do fim ao meio — como deve ser lida qualquer intrigante coletânea de poesia.
Uma breve consulta virtual aponta a ligação com o livro chinês Tao te ching (O livro do caminho e da virtude), atribuído a Lao Tzi, uma das mais conhecidas e importantes obras da literatura da China, supostamente escrita entre 350 e 250 a.C. do calendário ocidental, dividida também em oitenta e um fragmentos e ensinamento filosóficos. Alguns destes elementos são re-semantizados, outros confrontados com questões contemporâneas e mesclados com novos conteúdos, ou reafirmados através do tempo, nesse aqui e agora. Homenagem, reinteração, paródia, pastiche? Talvez um pouco de tudo, ou nada disso. Sobrevivem nos poemas de Faria, além do número de capítulos da primeira parte, algumas questões sobre o tempo, a busca inútil de origem, a simplicidade, a contenção de paixões intempestivas, a crítica à pretensão de controlar o inexorável da vida. São também fragmentos sem títulos, sem letras maiúsculas (como no alfabeto chinês), econômicos de pontuação e conectivos.
Os poemas de “tudo muito sempre” carregam entre si uma estreita relação, mas se distanciam dos de “o pai era um”, como se o mesmo livro contivesse dois. Contudo, no seu conjunto a obra busca uma unidade. Do ponto de vista temático, há uma multiplicidade de questões que abordam conteúdos filosóficos, sociais, existenciais e estéticos — fundamentalmente humanos, demasiado humanos.
Sabedoria e silêncioA leitura da primeira parte começa pela busca de um sujeito lírico que parece se esconder de sua individualidade através de uma voz coletiva. Esta, dirigindo-se a um interlocutor, paira, contém-se concisa, quebra a sintaxe e, conseqüentemente, priva-se por vezes da própria comunicação do que pretende dizer. Trata-se de uma dicção fragmentada pelos silêncios, não meras pausas, mas que funcionam como elementos estruturais dos textos. O primeiro desafio para ser encarado é a página em branco e, sobre ela, dar nome ao que vem desse vazio existencial ou natural que, filosoficamente, manifesta-se nessa voz, como que ausente de identidade pessoal. No poema 15: “como se tocasse/ o silêncio// a sintonia dos olhos/ não cabe na boca”; ou no 12: “(…) será também no vazio/ o gozo/ das coisas”.
É no vazio das páginas que o gozo da poesia se realiza. As palavras brincam, buscam-se e perdem-se na apologia do aquiagora, reincidente em muitos momentos, por um sujeito que se ausenta, exime-se, “e silencia/ dentadura na pele/ do infinito”. Afinal, “o mapa do tesouso/ silencia”. O que podemos cogitar é que esse sujeito lírico que tece sabedorias a um interlocutor desdobra-se nesse outro a quem se dirige. Antes do sábio que recomenda, é o humano que precisa do outro para se conter e seguir o caminho incerto desse aqui e agora do nosso tempo, consciente de sua condição.
que nada!sabe
Esta consciência, apesar de remeter à falsa modéstia colocada na boca de Sócrates — “Só sei que nada sei” —, representa uma convicção quanto ao tema: “sabedoria/ a avó analfabeta// o resto/ erudição e velhice”.
No único texto de “tudo muito sempre” em que o sujeito expressa-se em primeira pessoa, a questão também é colocada: “não sei/ não quero saber/ e vou aprendendo/ a não ter raiva/ de quem pensa / que sabe”.
Rede textualAlexandre Faria não é estreante na produção poética, pelo contrário, atua regularmente em sites, saraus, oficinas de poesia, ensaios literários e magistério. O poema a seguir reporta-se a um outro livro do autor, Lágrima palhaça, que versa sobre o circo da vida, suas quedas e glórias: “palhaço chora// equilibrista/ trapezista/ malabares/ caem// leão devora/ domador// nesse circo// há glória/ também”.
Enquanto a primeira parte de Venta não prima pela concisão, a segunda é menos econômica, dando voz à fluência narrativa de um sujeito presente que se manifesta em primeira pessoa e ensaia até uma referência autobiográfica: “1970 (quando nasci) me implantaram o programa/ desde então frutifica cultivar a fé nos dados/ (…)/ mas defeito de fábrica humana falha/ durou menos que minha vida aquele chip”.
O tempo parece restringir-se ao agora, o que significa que o passado ficou para trás, são poucas reminiscências. O espaço é aqui, folha branca tentando dizer o indizível. Um agora contemporâneo imediato que se contrapõe ao tempo mítico e transcendental preservado e reincidente no tempo presente: o eterno retorno do mesmo, privilegiado no subtítulo dessa primeira parte: “tudo muito sempre”.
se eternonuncase eternoonde? 
só o que é comaquiagora
Alguns poemas, se lidos separadamente, parecem herméticos demais, a começar pelo primeiro: “o que é com/ só/ aqui e agora// goza um enquanto// se insondável// nem sonhes”.
Mas se compreendidos como fios de uma mesma rede textual, incorporados aos outros, passam a somar a multiplicidade de sentidos que se entrecruzam neste tecido-texto em permanente tensão. Esta se estabelece em vários níveis, a começar pelo confronto filosófico ou cultural de pontos de vista orientais e ocidentais. “pois no princípio/ o silêncio/ demiurgo.” Mas no princípio não seria o verbo divino? Não necessariamente: “o verbo/ comprava barulho// silêncio a barganha/ da criação”.
Conflitam aí a precariedade do verbo e a teimosia poética compulsiva que atravessa o Lutador, lembrando Drummond: “lutar com palavras/ é a luta mais vã./ Entanto lutamos…”. A luta acontece também entre o erotismo e a necessidade de contensão dos impulsos, entre Dionísio e um Apolo predominante.
paixõessão para errar a mãosalgardem sempre(…)
Apesar de sugerir “(…) rasga a receita/ da paixão medida/ não há quem avise”, Apolo predomina com a recomendação de cautela: “limites: avança/ até serem teus/ então recolhe”.
Enquanto no taoísmo chinês tudo vem do vazio e o recolhimento é tranqüilo e natural, para o Apolo pagão e Ocidental a origem era o Caos e “a vida é luta renhida/ viver é lutar”. Segundo Nietzsche, o apolinismo grego teve de brotar de um fundo dionisíaco: “O grego dionisíaco tinha necessidade de se tornar apolíneo: isso significa quebrar sua vontade de descomunal, múltiplo, incerto, assustador, em sua vontade de medida, de simplicidade, de ordenação à regra e ao conceito”.
mas venta não ê meu povo guenta aí (…)inventa não meu que o povo inda há de ververedas no garimpo da poesia nas favelas(…)
É só desse fundo dionísiaco que pode brotar a poesia, mesmo que a racionalidade filosófica o tente conter. Na vida e na arte, neste aqui e agora, uma lágrima palhaça cai no picadeiro do poeta, homem múltiplo e incerto que, apesar do “trágico desconcerto” de um “chip que deu pau”, ainda ama, ainda sonha.

Publicado no jornal Rascunho, em novembro/2013.
http://rascunho.com.br/silencio-e-caos/

sábado, 16 de novembro de 2013

Sangue

há cabeças na bandeja
da rainha vermelha
no luto da vitória
do medo
o poema quer ser
batuque de guerra
guizo nos rabos

mas a babalixa
da linguagarra
é úlcera nos dentes
e a legião dos ratos
inda procura
projetos populares
no cti das multimarcas

pereba no pé
topada do sonho
catapora bexiga
hematomas
lanhadas
salmoura na cólera
pulso cauterizado

e a mancha nos panos velhos
que do mastro ao chão
não secam mãos lavadas
sempre que um filho da puta
branco vendido negro comprado
ou mulato sabido
põe os pés na nossa cozinha

domingo, 10 de novembro de 2013

Comidas

as armas químicas não estão longe dos pratos
smiles tristonhos doritos

cegovi
já fui velho
sabiá chinês
hoje personagem
de zéfiros mangás
spero vingue
hiroshima o sushi
de salmão colorau
C O G U M E L O
dendas tripas
de jovens mendigos

aos vencedores
pinga pringles

papas papas papas papas

as bombas voltam
quando são bem comidas

sábado, 2 de novembro de 2013

Poetas

Entendo bem a alegria de ser pedinte
O riso canino de dizer sim ao presente
E temo pela alma pegajosa dos que doam
Vira carne a cada vez que dão no couro

(lanhado lundu chicote do cu)

Pobres e solitários recusam o plá dos sangue-bom
Deitam cabeça pra consciência limpa
Deitam salmoura nas rosáceas fístulas
Trocam o sono pela solidão do face
Viajam no maps como se em romance russo

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Juízes

Comunistas na zica das sarjetas
Requentam estatísticas
Para o próximo sonho
Que mendigos compram
Na finta overbooking dos aeroportos

Já fui comunista hoje esmolo
A ponta de estoque baça dos olhos
A libação que antecede o holocausto
A espera escusa do veredito

sábado, 26 de outubro de 2013

Lixo

há os que catam lixo

mendigos
deixam lixo estar

depositam páginas
blogs provas de história
restos de satélites

no espaço que sobra

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Épica


Sem choramigas quando morrer mendigo
Que no índigo auriverde fui pior pendão
Indiafricanil chã destrelas
Como se o sangue decassilabasse
Éter solto e o crivo de cravos clichê

Não não lamente morrer mendigo
Depois de noites no mais alto hotel
Dos paus à deriva
Dos pounds das brejas

Que múmia cova rasa
Camara gás gaveta
Crematório febre dispneia
Todo morto é indigno

Mas antes de morrer
Mendigo
Cega faca
Fé amolada
Não não amola
entre o gargalo e o cristal tal tal tal
a tel tel tel
Telefonista que me ostenta

sei bem
sei bem
bem sei
que em ser
nunca serei

(moderninho ieieiê)

infância de lobo
na canalha superquadras
o atomodelo mundo créu
elétrons do corpo máquina

neutrons dos neutros

riscocidade no palm da mão

buceta pitagorasmática

mas agora sim
forro
e mendigo
sem choramigas

Sem choramigas quando chegar mendigo
Quando cheirar-me o cão

sábado, 19 de outubro de 2013

Três mendigos

Não havia crack nem piolho
A fome era vaga coceira
E a rua dignidade ereta
Dos que querem o que não é

Formavam um belo casal

Quando ofereci trabalho
Ela contrição desconfiada fez que sim
Nem que não deixou-me pobre e mais
Um quase ninguém esmolando desculpas

Pela ofensa
Por não saber da dança
A densidade do silêncio
A eriçar humores

Ele cego cego tocando pistão
Gradeceu de dentes fez tantan
Que sim da cabeça como se nem
Se desse do lusco fusco em minha pele

Entre o lobo do homem e a sombra do cão
Pedia como quem dá
Sentei-me à esquerda de um
E à direita da outra

Breve seremos legião

domingo, 13 de outubro de 2013

Cidades, museus

A carioca, de Pedro Américo
Crônica (conto) publicada na Tribuna de Minas, Juiz de Fora, 13/10/2013.

Cidades, museus
Para Renato Cordeiro Gomes
Anos viajando para consultoria em análise de sistemas e métodos, criei um hobby. Coleciono cidades. No início, visitava os museus das cidades aonde ia, mas depois os deixei pra lá. Só as cidades são museus de si. Os museus, pelo contrário, são cidades alheias, mosaicos de expropriações ou espólio de excêntricos que, doados às prefeituras, tornam-se o ônus da História. Ir a um museu é perder-se da cidade que se visita. Por isso, os museus devem ser o patrimônio primeiro dos cidadãos, dos que por fatal natalidade não podem fazer o uso que um estranho faz de seu lugar. Deviam coibir a entrada de turistas nos museus e estimular que os nativos, desde a infância, aprendessem a sair da cidade através deles. Mas é justamente o contrário o que fazem. Na minha cidade, por exemplo, tem um museu só com réplicas – vê se pode! - de Pedro Américo, filho célebre do local. Mas não é só no Brejo Paraibano que isso acontece. Vale o mesmo para o 221-B de Baker Street, London. Usam os museus como iscas para cidades.

Busco nas cidades o que nelas não se consegue apreender pelo sistema e pelo método. Quero experimentar o entrelaçamento bruxuleante das existências humanas. Toda cidade é cristal e chama. Busco a chama. E quando decido entrar em algum museu, faço-o por um fetiche especial, uma obra ou personagem específica que lá estejam e que me provocam a curiosidade.

Quando agendei esta consultoria em Juiz de Fora, planejei aproveitar para re-conhecer a cidade na qual passara o carnaval de 1988 com um namorado. Mas também reservei uma tarde par ir ao Museu Mariano Procópio. Finalmente veria o original cuja réplica me tirava o sossego desde a infância, no museu de Pedro Américo e nos livros de Educação Moral e Cívica, que estudei com afinco para sair de Areia e ganhar o mundo. Na tarde programada, fui direto ao museu.
 
Fechado.

Passeei pelos jardins tentando me refazer do impacto. Se a cidade fosse um corpo, faltava-lhe um dos membros. O resto da cidade podia abrir-se inteiro para mim, mas com aquele museu fechado, ela botava os quartos de banda. O todo sem uma parte. Ia pensando essas coisas quando uma chuvarada me levou a procurar abrigo nas mesinhas do café. Praticamente vazio, a não ser por uma jovem com um livro cujo título me chamou atenção, Todas as cidades, a cidade. Um rádio no balcão tocava um sucesso de Elis Regina. Voz de Pedro Mariano.

Manchas torturadas. E eu sem meu Tiradentes esquartejado. Foi-se o tempo dos açougues no Brasil, mas as tardes continuam caindo como viadutos, museus. O que fazer com o cristal quebrado das cidades? Peço uma cerveja e sento para refazer a agenda. Só então a jovem leitora se dá conta de minha figura. Sorri. Ainda tenho quatro dias de promessas juiz-foranas pela frente. Semana que vem vou ao Rio. Quem sabe lá encontro A carioca?



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Movimento 5. de Oka, de Rute Gusmão

5.
para Alexandre Faria

I

palavra
por palavra
oculta o texto

tijolo
por tijolo
sobe o muro

tiro
por tiro
conta o perigo

prego
por prego
segue o castigo


II

à luz do dia
pedaços de ossos
no porto da cidade
maravilha
crânios
mandingas
aterro e lixo

à luz do dia
destroços
capoeiras

sítio valongo
cais da gamboa
mercado camerino
trapiche



III

quilombos
– batuque e angu

libambos depois –
lundu



IV

dia
a dia
a notícia

dente
por dente
fala a ferida

domingo, 18 de agosto de 2013

duas notas em sábado, 17/08/2013

Duas notas, em sábado, 17/08/2013.

1- Medos. Manhã. Festa dos pais na escola. A turma do maternal (Clarice é do pré) canta uma canção que diz que o pai é super-heroi etc. Ela, na plateia, assistindo a tudo do meu lado, pergunta: "Você não tem medo de nada não é, pai?" Penso nas inquietações da existência, na absoluta falta de sentido da vida, na morte, e de como, com o tempo, foi se tornando menos importante indagar pelo medo do não sabido que viver um dia de cada vez. "Não, filha, não tenho. E você quando crescer também não vai ter." E ela conclui, alegre: "Vou até matar barata, né?" "É claro, filha, vai até matar barata".
2. Imagens. Noite. Saio do "abraçaço" de alma lavda. Invejavelmente em forma um dos poucos artistas que ainda se dedicam a pensar o Brasil. Foi a primeira vez em que assisti ao show e à plateia com a mesma atenção (ossos do ofício - literatura e estudos culturais+estética da recepção). Ainda incompreensível para mim o que já se tornou totalmente corriqueiro: na pista todos os celulares em riste filmando o palco.
Num trecho da música para Marighuella, "vida sem utopia não entendo que exista", os celulares se abaixam e as palmas respondem forte. Está ali a imagem das ruas. Eu a pressinto, mas não a vejo. Veria o ídolo (

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Venta não - booktrailer




1. O que tem no cinema.
Uma das melhores coisas que aprendi na minha carreira de poeta é que um livro não se faz solitariamente.
O maldito “Beneditino escreve” é uma farsa.
Rapaço meu rapace: nenhum agradecimento me é dispensável.
Uma lista de créditos no final.
André Capilé
Daniel Neves
Edimilson de Almeida Pereira
Fábio Fortes
Felipe David Rodrigues
Fernanda Fernandes
Gilvan Procópio Ribeiro
Maura Santiago
Oswaldo Martins
Pedro Paiva
Leram, falaram mem, falaram bal, me emprestaram olhos línguas mãos ouvidos (ninguém cheirou) dicionários. Trocaram e viveram o livro para além do que é o livro. Não toca a vida a palavra, só a calcina. Me tocaram. A vida.
O sonho de fazer um livro de poemas como se fosse cinema.

2. O que no cinema não há.
A dedicatória.
Carolina Barreto
Fernanda Fernandes
Oswaldo Martins
Paulo Roberto Tonani
Tatiana Franca
 com cujá e saquê,
Uma vez esses 5 mais eu nos encontramos num restaurante japonês em torno da dúvida metafísica sobre a existência do cujá.
Era uma vez. Outra será outra.
Se a tristeza chegar, a nossa tribo abre o dia!
No booktrailer do “venta não”, Felipe David Rodrigues e Daniel Neves. Assistam!
Obrigado. Sempre. Estar com vocês só pode ser obrigação.

http://vimeo.com/69976093

Passe partout

entre o quadro e a moldura
o amor

é o que me faz chorar bobo
quando chega com o boletim
tudo azul

o que me grita alegre dentro
quando ouve médico faz check-up
diz que vai malhar

o que me cala a dizer sim
quando seus olhos explodem
e a casa cai

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Rasgando o bloco de notas do E63



Vista dos confins mais distantes do espaço, a Terra não é maior que uma partícula de poeira. Lembre-se disso a próxima vez que escrever a palavra humanidade (...)
Quando finalmente me puserem contra a parede e apontarem seus rifles para o meu corpo, a única coisa que vou pedir a eles é que me tirem a venda. Não porque esteja interessado em ver os homens que vão me matar, mas quero poder olhar para o céu outra vez (...) fitar uma última vez o infinito que gane.(Paul Auster)

Sob tortura

tem cuidado de sarar
tem cuidado de velar
tem cuidado de dar mão
meu é o cuidado
de quem cala
(sem data)

A história não faz filhos
Em quem vive nas filas
dos bancos.
Acontecimentos religiosos
da raça são: o carnaval, católico
e o sarau, protestante.
(sem data)

Aranjuez
E porque não há o que diga
O que dê conta do solo de cordas sem palavras
O poeta cavalo da humana falha
Repete mon amour

Da música não o som, o movimento
Do quadro, não a imagem, o movimento
Na dança dos homens a conexão
Do sabido com o desconhecido, poesia
(19/03/2012)


Uma canção do chico:
Mas agora eu tenho a lira tenho paz ... Meu amor onde é que você estava

Há leveza nos dias, calma pro trabalho, fé na vida. Começo a parar de duvidar do que não sei. E nem tanto esplendor nem tão tenebroso, se o amor brota crescido.

Donaldo Schuller Heráclito -
Capítulo 1 - Rio sem discurso
Cap. 2 aforismo e poema de haroldo sobre a fisis.

Lá no meu interior
Tem uma coisa que não tem nome
Quando eu dou nome à coisa
A coisa some
(Roque Ferreira)

É meu filho. E daí? Fiz até onde pude. Mais não faço. Tá com ele. É dele. No  início eu ainda ia lá, trazia ele pra casa. Dava conselho. Dizia o que é bom. E em troca, o quê, o quê?
Comecei a me sentir velho. A achar que sei de coisas que os mais moços não sabem. Que fazer?
Cabelo branco, meia bomba, meio bambo. Nada disso conta muito. Nem pede perde respeito. O que não tem jeito mesmo é se entrar numas de dar conselho. Saber que sabe demais dizer que tem o caminho que pode ajudar. Depois vai esmolar cabisbaixo desculpa pra tudo onde esbarra. Não tenho dúvida, calo o conselho e vou pra zona. Ponho esses moços pra tocar na jukebox. Dou uma puta duma trepada.

uyuco
Pasadena - 16614623
Cocina de socorro
Castilho da san felipe
Baluarte de santissimo
El saqyeo de Malagana
Tostao e slow
Joaquin Sabina
Paul delvaux mulheres de vida galante

D95 hasta calle 72
Qualquer n B
Hasta portão norte
H92 Jimenez
J95

Odeio as vítimas que respeitam seus opressores. (Jean-Paul Sartre)

A verba de alguns editais


Aposta A: 03 08 16 18 22 23
Aposta B: 15 18 28 34 36 42
Aposta C: 10 13 16 18 37 47


Crianças invisíveis

hidroquinona 5% creme

“Dentro da noite veloz”, mais um tijolo para o muro Che

Nasci e nasceu comigo o deus do amor
- que fará o amor quando eu me for? (p. 41)
Adonis. Poemas. Tradução: Michael Sleiman. Companhia das Letras, 2012.


Devir
Mané que sabe que é
Malandro é.


O professor de português
(sem crime)
Era só mais um Silva
Cuja estrela não brilha

Herkenhoff
Cafres


O Sarau Poético começou em 2001, no Pré-Vestibular Comunitário de Manguinhos, promovendo a literatura e a cidadania através da apresentação de poetas e artistas do território e também de convidados.
Atualmente acontece sempre no primeiro sáb
O Sarau Poético começou em 2001, no Pré-Vestibular Comunitário de Manguinhos, promovendo a literatura e a cidadania através da apresentação de poetas e artistas do território e também de convidados.
Atualmente acontece sempre no primeiro sábado de cada mês,
na Biblioteca Parque de Manguinhos.
Blog: poesiamanguinhos.blogspot.com.br/


Há milênios um poço é um poço. As cidades mudam mas os poços são feitos da mesma maneira e atendem à toda a comunidade. Seu trabalho é sempre para o outro. E você o faz bem. Leva contigo teu poço e tira dele a água que é de todos. E você s
Há milênios um poço é um poço. As cidades mudam mas os poços são feitos da mesma maneira e atendem à toda a comunidade. Seu trabalho é sempre para o outro. E você o faz bem. Leva contigo teu poço e tira dele a água que é de todos. E você sempre a divide. Há os que quebram o balde (que na época dos chineses era de barro) ou têm a corda curta. Tua corda não é curta e você é cuidadosa. Profunda e humana. Tudo indica boas chances. Sei que no momento qual cidade é muito importante para você. Sobre essas mudanças, não dá pra ter certeza, mas parece que o momento vai servir mesmo para você conhecer mais fundo e melhor seu poço. Carinho grande. Na torcida. Tamo junto.


Plano de suicídio

Quem fuma suicida aos poucos
Por isso deixei de fumar
Vou por fim à vida de vez
Mas não antes de ver o que há
Ainda tenho mais vinte livros
Pra escrever uma coleção
De eternos clássicos por ler
E tantos doutores pra formar

Não muitas mas especiais moças
Que inda não me viram
com os olhos
com os olhos do meu tempo
Me darão trabalho convencer

Tanta coisa pra fazer
Tanto filho pra criar
Que, acho, só chego ao meu intento
Lá pros noventa cento e poucos anos
Talvez então não haja mais pressa
Quem sabe até volto a fumar
(sem data)


Paula e Bebeto
Léo e Bia
Eduardo e Mônica

As paisagens tão bem guardadas

música de antoine e colete

O essencial é vivido na presença, as objetividades no passado. Martin Buber

Enquanto canções costuram
Na voz das massas
A dor das ausências
Estaremos na mesma

Merda!

Só hoje não a presença de quem falta
Mas o dia pra quem me der ou vier.


o ouro do não dito
ou o toque de midas
dos bons conselheiros

engolir os sapos
ou berrar cabrito

passam fome os bichos
que não tagarelam
ou papam mosquito

Nelson Rodrigues (Carolina Barreto)
Ingredientes:
8 sachês de chá preto
1 envelepo de refresco em pó de laranja light
Água
Modo de fazer:
Faça um chá bem forte (use 6 copos de água para os 8 sachês de chá)
Prepare o refresco com um litro de água gelada. Use só um litro, não vai fazer um refresco muito ralo!
Conserve o refresco na geladeira enquanto o chá esfria. Nelson Rodrigues é para se beber frio.
Depois, a mistura deve ser feita no próprio copo, na hora de servir. Comece com um meio-a-meio, prove, aprecie lentamente, fazendo o líquido percorrer todas as regiões da língua. E depois vá graduando, haverá momentos em que você desejará mais chá, em outros mais laranja.


Centro do Rio. 20h. Lojas fechadas. Sacos pretos de lixo na rua. Pretos de lixo na rua. Na minha cabeça um som antigo dos Titãs. Você já tentou varrer a areia da praia?


16829 campa do zozó


Adoro a ideia de envelhecer, acho um privilégio. Se a pessoa adquire bonsa hábitos, zela por si e consegue manter a saúde, não há período mais belo na vida, quando você se soma à sabedoria. (Gilberto Gil)


letra cursiva observar ordem
Pre - momento de grande mudanças
Eles não escrevem só no papel.
não pegar na mão para encrever
Não apagar nem dizer que está errado - desestimula
Não há mordidas : mas tapas - brincam de super homem
Organização da rotina
Jogo americano é pra massa. Impirtante enviar tolhinha todo dia.
Projeto livro da vida = caixa de preferências - sentar na cadeira da tia.
Nome no uniforme
Ficha do livro para casa - só fazer o lado que está com a data.
Pintura do livro - só com lápis de cor
Ativodades de cobrir só com grafite
- atividade de casa - quartas e sextas
- dinheiro na bolsinha - porta niqueis preso
- sucos potes talheres tudo com nome
- é proibido colher descartável
- copo sem tampa
- avisar se for faltar mais de 3 dias seguidos.
- crachá não é mais necessário - enviar na agenda para os passeios
- projeto turma da mônica


Aquela canção

no meu lugar mil amores em cada
mercado emboscada a vida toda
mácaras de bin ladaen vias-lácteas
de bilac escadas nas calçadas gatos

pardos nos espetos pretos velhos
santos bambas cordeiros de ebós
e umas pombas de tirar o pecado
do mundo quando o samba come

no criacionismo doido das escolas
o diabo senta corno cala o toque
afogo o fígado como ganso de foie-gras

e ainda que o baleiro rode e pare em nova iorque
deixo a vida me levar - cada dia uma esmola
no exílio eterno do sempremesmo meu lugar


Jukebox

e não vem baleiro
arlindinho
nem vinícius com toquinho

o diabo senta corno
cala o toque
tecla sóbrio lupicínio
no altar da jukebox

ipanema itapoã
madureira nova iorque

não vem que não dá
o anjo exterminador
é sempre mesa de bar


"O individuo que escolhesse seguir o caminho dos estudos seria, obrigatoriamente, levado na direcao da Igreja (...) é claro que que nao precisou de muito para que o "tornar-se clérigo" passasse a significar "tornar-se livre" e, deste modo, a vocacao espiritual deixou de ser da adesao às abadias e monastérios da Igreja.
(...) E nao deveria estranhar que a poesia dos goliardos tenha surgido ao mesmo tempo em que a usura tornou-se uma pratica social comum (...) Essa coincidencia marca na verdade, a um so tempo, o canto dos cisne da poesia antiga ainda escrita sob inspiracao classica e o inicio da era do capital, em cujo fundmento economico nao se inclui a poesia, enquanto outras artes, mais tangiveis e menos questionadoras terao seus valores ampliados.
(...) esse canto do cisne também se relaciona com o surgimento das universidades (sec XI e XII) e do intelectual universitario (...) estabelece um padrao cultural livresco que banira a oralidade das bases criativas da poesia.  (João José de Melo Franco)


Bolo de laranja
1 xc /2 de manteiga
3 gemas
2 xc açúcar
misturar até virar um creme esbranquiçado
3 xc farinha
3 clara em neve
1 col sp fermento
misturar
jogar por cima no final suco de laranja com açúcar


Esperava muito das pessoas
Que passou não gostar de gente
Nem esperar nada de ninguém