sábado, 17 de outubro de 2015

Seminário Modos da Margem na UFRJ

https://modosdamargem.wordpress.com/

Programação Completa:

Dia 20/10 – 3ª feira
9h: Abertura: Direção da Faculdade de Letras
10h: Conferência: Allan da Rosa – Literatura e modos da margem

11h: Mesa 1:
Renato Cordeiro Gomes (PUC-Rio) – A morte da Lapa e do Mangue: a margem e o fim da festa.
Emerson Inácio (USP) – RAP/REP: Ritmo, Atuação/Expressão, Poesia.
Mediação: Giovanna Dealtry (UERJ)

14h: Mesa 2:
Maria Célia Reis Barbosa da Silva (UNIFA) – Antonio Fraga – Mangue: a margem e o imaginário.
Giovanna Dealtry (UERJ) – Malandragem na modernidade carioca.
Lia Duarte Mota (PUC-Rio) – Plínio Marcos: faces de um personagem marginal.
Mediação: Alexandre Faria (UFJF)

18h: Marcio Vidal (USP – Cooperifa): O Sarau da Cooperifa: literatura e resistência.
Mediação: Paulo Roberto Tonani do Patrocínio (UFRJ)

19h: Sarau de Manguinhos


Dia 21/10 – 4ª feira
9h: Mesa 3:
Claudia Miranda (UNESA): Slams e saraus : espaços de celebração urbana
Renata Dorneles (UFRJ): Subrepresentação, representação e autorrepresentação do conurbano bonairense: a emergência dos gêneros.
Thiago Carvalhal (UFRJ): Subalternidade, marginalidade: acerca do lugar à margem.
Mediação: Aline Deyques (UFRJ)

10h30: Tatiana Almeida (PUC-Rio): Que Brasil é este: considerações sobre a ideia de agência nas práticas de Marcelino Freire.
Rachel Nunes (UNESA): Personagens femininas da margem: um diálogo entre Esmeralda Ortiz e Edyr Augusto.
Carolina Barreto (UFJF): Narrativas da “frátria imaginada”: Ferréz, Dugueto Shabazz, Sérgio Vaz, Allan da Rosa.
Mediação: Ricardo Ibraim (PUC-Rio)

14h: Mesa 4:
Amanda Pereira (UFRJ): A leitura do feminino em Allan Santos da Rosa.
Ricardo Ibraim (PUC-Rio): Entre a cidade e a letra: a literatura marginal como geradora do dissenso.
Simone de Paula (UFRJ): A partilha do sensível em Allan da Rosa.
Mediação: Claudia Miranda (UESA)

16h: Aline Deyques (UFRJ): As palavras que correm à margem: Visões sobre a Literatura Brasileira e Literatura Africana na contemporaneidade.
Lígia Gomes (UFJF): O espaço autobiográfico na narrativa da Literatura Marginal.
Dalva Desirée Clement (UFRJ): Análise das representações migrantes na obra híbrida “Si me querés quereme transa”, de Cristian Alarcón.
Mediação: Tatiana Almeida (PUC-Rio)

17h: Oficina de Criação Literária com os escritores Alexandre Faria e Oswaldo Martins

Dia 22/10 – 5ª feira
10h: Mesa 5:
João Camillo Penna (UFRJ) – Jagunços, topologia, tipologia.
Ary Pimentel (UFRJ) – Malandro quando morre vira samba, vagabundo quando morre vira funk: memória e esquecimento dos refugos.
Fernanda Garbero (UFRRJ) – “- É irmão. A vida é dura”: a bastardia em Desalma, de Ana Paula Maia.
Mediação: Júlia Almeida (UFES)

14h: Mesa 6:
Fred Coelho (PUC-Rio) – Entre as margens do Rio: a transformação do marginal em herói na obra de Hélio Oiticica.
Vera Follain de Figueiredo (PUC-Rio) – A incontornável distância do olhar: figurações do personagem marginal no cinema.
Ana Claudia Viegas (UERJ) – Nem marginal nem herói – migração, anonimato e memória no projeto literário de Luiz Ruffato.
Mediação: Alexandre Faria (UFJF)

16h: Mesa 7:
Julia Almeida (UFES) – Narrativas de remoção: a diáspora negra entre memória, deambulação e resistência.
Rogério Pacheco Jordão (PUC-Rio) – Uma descoberta anunciada: heranças do mercado de escravos do Valongo no Rio de Janeiro.
André Monteiro (UFJF) – Poesia marginal dos anos 70: margens extemporâneas
Mediação: Paulo Roberto Tonani do Patrocínio (UFRJ)

18h: Mesa 8:
Alexandre Faria (UFJF) – A margem como utopia.
Teresa Cruz (UFRJ) – Ficções do real: a cidade e a construção do medo.
Paulo Roberto Tonani do Patrocínio (UFRJ) – A representação de territórios marginais na literatura brasileira contemporânea.
Mediação: Ary Pimentel (UFRJ)


COMISSÃO ORGANIZADORA:
Alexandre Faria – UFJF
Aline Deyques Vieira – UFRJ
Ary Pimentel – UFRJ
Beatriz Resende – UFRJ
Heloisa Buarque de Hollanda – UFRJ
João Camillo Penna – UFRJ
Martha Alkimin de Araújo Vieira – UFRJ
Paulo Roberto Tonani do Patrocínio – UFRJ
Apoio: FAPERJ/Programa de Pós-Graduação em Ciências da Literatura / Universidade Federal do Rio de Janeiro / Programa Avançado de Cultura Contemporânea PACC / Auditório C-1, Faculdade de Letras, UFRJ. Av. Horácio Macedo, 2151. Cidade Universitária – RJ – 2194-1917

domingo, 4 de outubro de 2015

Teríamos saído de Canudos?

"A group approaches a policeman
He seems so pleased to please them."
(Caetano Veloso, London London)

"À queima roupa" de Theresa Jessouroun (2014) é um fime obrigatório para todos. Se não para todos os brasileiros, pelo menos para todos os moradores do Rio de Janeiro, que sofrem com a violência armada da cidade.

No entanto, pouca coisa o documentário traz de novidade. Como muitos temas e problemas nacionais, o filme trata de um óbvio oculto (tiro essa expressão, que tento operar como um conceito, da canção "Um índio", de Caetano Veloso). São temas e problemas que todos conhecem mas poucos enfrentam e investigam a fundo. Compõem o lixo que varremos para baixo do tapete, que mantém o status quo, a opressão do trabalhador braçal, o subemprego, o impedimento do acesso de grande parcela do povo brasileiro do aos direitos civis, à cidadania e à dignidade.  Resumo esse lixo em duas palavras, corrupção e racismo.

"À queima roupa" evidencia o primeiro deles operando sobre a latência do segundo, a corrupção nas polícias do Estado do Rio de Janeiro orquestra o extermínio de negros e pobres (além do de juízas que decidam trabalhar para condenar os envolvidos no crime).

Nada de novo no front.

Mas, insisto, o filme deve ser visto como exercício cotidiano que devemos fazer para enxergar o óbvio que preferimos pensar oculto.

Em alguns momentos do roteiro, percebe-se o esforço analítico por meio do qual se estabelece a relação entre a corrupção e a violência na polícia com o histórico da atuação clandestina de policiais militares para o aparelho repressor da ditadura civil-militar que assolou o país entre 64 e 85. Não há como negar esse fato. Mas ao mesmo tempo a análise identifica uma cultura segundo a qual, historicamente, a polícia jamais esteve, no Brasil, para servir ao povo. E isso, em termos de história republicana, extrapola o malfadado período histórico da ditadura civil-militar e nos leva de volta a Canudos, lugar de onde nunca saímos.