quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Se oriente


(para clarice, que me deu folhas em branco. também para pedro, fernanda. e capilé)

nos olhos do que deixa
não do que abandona
miro meu dia e digo amor
como se todo num sólido
com vaga certeza o espaço
descrevesse meu giro

daria um poema em holocausto
para cada hora cujo silêncio
rendeu-me da tese um bom futuro
mas nunca passaram de quinta na esquina
as utopias os manos e as minas
nunca passaram nunca passarão

hoje poemas e teses soam iguais
e temo por em verso o mês presente
a vida espacial o dó menor
que é fazer-se todo num só
apenas sigo o que deixa
nunca o que abandona

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Búlica, de Elesbão Ribeiro


para alexandre faria 

as calçadas eram largas
um dia
chegaram uns homens
pretos brancos e mulatos
com muita força
nas picaretas
quebraram as calçadas

dentro daquele sulco
puseram uns canos
atarraxaram os canos
cobriram
e foram embora

naquele leito de terra
jogávamos bola de gude

um dia meu pai anunciou
o prefeito mandou cada morador
ajeitar a sua calçada