sábado, 26 de novembro de 2011

Lágrima Palhaça - 25 anos de engavetamento


O poema que está no post anterior, saiu de um livro, também intitulado Lágrima palhaça, que escrevi com 16 anos. Naquela época talvez eu desconfiasse mais de mim mesmo do que seja capaz de desconfiar hoje dos moleques de 16. Junto com o cinza dos cabelos vem certa benevolência complacente. Se isso for algum sintoma do que chamam sabedoria, é sinal de que depois de velho (o que já nasci sendo) e sábio (será?), só me falta ficar chinês.

O livro é um conjunto de poemas que tenta usar o circo como alegoria das percepções de que, então, eu era capaz. Do conjunto apenas dois títulos tornaram-se públicos, em 1994 (?), na coletânea Vida tida linguagem, com poemas e traduções dos participantes da Oficina de Poesia Mário Faustino, no Diretório Acadêmico da Faculdade de Letras da UERJ, sob o comando do saudoso Jorge Wanderley, de Luiz Carlos Lima e de Italo Moriconi (isso tem que ser assunto para outro post). São o próprio Lágrima palhaça, e Encanto e domínio, que segue abaixo.

Penso que para comemorar esses 25 anos do engavetamento de Lágrima palhaça, deveria transformá-lo num ebook e presentear meus amigos neste fim-de-ano. Aguardo nos comentários sugestões e adesão à ideia.

ENCANTO E DOMÍNIO
O encantador de serpentes
Ao som da flauta mágica
Questiona o brilho que sente
De seus olhos na presa da naja.
Pergunta se o encanto tocado
De sua flauta emana
Ou pela cobra é enviado
Indaga se o veneno que divisa
Cria-lhe escama
Ou só a ela humaniza.

A naja, encantada,
Na voz do mito serpentino
Percebe que o bote seria a cilada
Para roubar-lhe o predestino.
Então se amansa em humildade,
Oculta a própria maçã
E oferece a outra face da maldade:
Uma dança enroscada e amante,
Qual irmão e irmã
No encanto ambidominante.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um poema dos 16 anos

A gente faz muita merda quando tem 16 anos. Uma das que eu fiz foi não levar fé na pessoa que disse para eu publicar um livro, donde saiu esse poema:



LÁGRIMA PALHAÇA

O palhaço
É o avesso da mentira,
Pintura que se retira
E desvenda outra mentira,
É o verso
De uma tira de seda
Que cega o segundo gume,
Tintura que enruga
E descasca sobre a tinta
Enrugada e retinta:
Maquilagem de verdades.

O palhaço
Nunca teve o queijo, o beijo da mulher,
E todos os seus filhos
Têm só esta faca como talher :
São palhaços,
Marionetes dos risos,
Vedetes do circo,
Objetos de uma alegria
Que o próprio show proporciona
Gargalhada que sempre funciona
Na única vida como vida.

O palhaço
É a lágrima proibida,
O tempero ardido
Do seu prato de comida,
É o verso
Desgastado, corroído,
Medo e ira disfarçados,
Riso e festa plagiados,
Único verso já escrito.
Vide verso...
Vice-versa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Letras negras sobre criança morta


Fausto Nilo e Geraldo Azevedo sobre Portinari: