domingo, 18 de agosto de 2013

duas notas em sábado, 17/08/2013

Duas notas, em sábado, 17/08/2013.

1- Medos. Manhã. Festa dos pais na escola. A turma do maternal (Clarice é do pré) canta uma canção que diz que o pai é super-heroi etc. Ela, na plateia, assistindo a tudo do meu lado, pergunta: "Você não tem medo de nada não é, pai?" Penso nas inquietações da existência, na absoluta falta de sentido da vida, na morte, e de como, com o tempo, foi se tornando menos importante indagar pelo medo do não sabido que viver um dia de cada vez. "Não, filha, não tenho. E você quando crescer também não vai ter." E ela conclui, alegre: "Vou até matar barata, né?" "É claro, filha, vai até matar barata".
2. Imagens. Noite. Saio do "abraçaço" de alma lavda. Invejavelmente em forma um dos poucos artistas que ainda se dedicam a pensar o Brasil. Foi a primeira vez em que assisti ao show e à plateia com a mesma atenção (ossos do ofício - literatura e estudos culturais+estética da recepção). Ainda incompreensível para mim o que já se tornou totalmente corriqueiro: na pista todos os celulares em riste filmando o palco.
Num trecho da música para Marighuella, "vida sem utopia não entendo que exista", os celulares se abaixam e as palmas respondem forte. Está ali a imagem das ruas. Eu a pressinto, mas não a vejo. Veria o ídolo (