sábado, 27 de abril de 2013

Um rei sem boca da noite



Todos tem sua hora na boca da noite. Exceto alguns reis. Outro dia assisti à Vida de Pi. Achei uma espécie de upgrade do Mágico de Oz (coisas do pai da Clarice). Mas, na inevitável hora de revelar suas metáforas, o filme dói; e cresce. Passar um dia sem carne, uma vida, vá lá. Não é nada, se compararmos ao momento em que um vegetariano se vê obrigado a comer carne. A da própria mãe, do próprio irmão? Ninguém é digno de ouvir uma palavra e ser salvo. Mas advogados e juízes estão aí pra isso mesmo.

É a hora em que, sem advogados nem juízes (não necessariamente sem deuses, mas sem juízes), sentimo-nos justiçados diante da existência. Compreendemos. Fica rica a polissemia da palavra sujeito. Diariamente a gangorra entre ser agente da própria vida e saber-se subjugado ao não saber, não prever. Quando disse que alguns reis são incapazes de experimentar sua hora na boca da noite, pensei naqueles que vivem – e governam – à mercê dos oráculos, como o de La  vida es sueño. Naqueles que, pelo sonho, governam destinos (e como é próximo de Calderón de la Barca o Inception, de Christopher Nolan). Naqueles que, sóis absolutos, tornaram-se reis cantando e encantando a simplicidade humilde de sua gente. Ou naqueles que, como vegetais, reinam em estado de coma e mantém a vida através de tubos (agradeço a imagem a Edson Leão Ferenzini) e máquinas, advogados e juízes, padres e papas e toda a corja da tecnoburocracia. Ah, esses sujeitos públicos que não querem ser objetos!

Tudo isso me veio à tona depois que soube que Roberto Carlos, através de seus advogados, mais uma vez, está perseguindo livros. A vítima da vez é "Jovem Guarda: Moda, Música e Juventude", de Maíra Zimmermann, resultante de uma pesquisa de mestrado em moda, cultura e arte no Centro Universitário Senac e publicado com apoio da Fapesp. Há detalhes do assunto no google. Mas não esperem ver nem uma notinha na rede de tubos e máquinas que mantém o rei vivo. Por isso é bom que se divulgue a notícia. Quando aconteceu, em 2006, o caso Paulo Cesar Araújo, fique furioso, protestei, escrevi laudas e laudas.

Por hora, mais não digo.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sem título. canções sobre tela.


para o Julio Diniz, Fred Góes, Gilvan Procópio e Miguel Jost
para os Andrés, e toda a gente da ponte rodoviária Letras UFJF/PUC-Rio
para o Renato Cordeiro, sempre
(ao som da Dani Aragão ao som de Calcanhotto)

dois corpos podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo que um corpo não pode ocupar dois espaços ao mesmo tempo em três cidades quatro universidades meu corpo o ponto equidistante entre fundão são cristóvão maracanã gávea martelos meu corpo o ponto de equilíbrio entre rio brasília juiz de fora mas sempre são os pilotis que detonam os pilotis de quando eu era só olhos tesos ou de agora só disfarce pica dura

fiquem tranquilos quando não estiver mais não estarei take it easy my brothers quando não estiver mais não estarei nem aí nem aqui

mas me lembro (89, 90?) a namorada à minha espera largo do são francisco ifics vamos tem uma cantora nova e eu mpb4! vamos é uma maluca e eu mpb4 no seis e meia! vamos tá todo mundo falando e eu mpb4 porque o povo! e hoje o micróbio me olhou ponto e riu quase não mudou nada o malandro, que argumenta joão e outro paulinho ninguém faz samba só porque prefere

fiquem tranquilos quando não estiver mais não estarei take it easy my brothers quando não estiver mais não estarei nem aí nem aqui

porque meu corpo equlíbrio equidistante entre a cama e o sonho porque meu corpo equlíbrio equidistante entre a lira paulistana não e cariocas sim porque meu corpo equilíbrio equidistante porque meu corpo equilíbrio porque meu corpo porque meu

minha - a bahia não é longe daqui

fiquem tranquilos quando não estiver mais não estarei take it easy my brothers quando não estiver mais não estarei