quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Um adeus a 2012



2012 foi esmerado
no enterro do século XX
mas ninguém há de mandá-lo
à puta-que-o-pariu como fez
o Poeta com 1973

sobra muito no espólio
e poucos para a partilha

utopistas do pão nosso
sem parábolas nem legendas

psicanalistas de sistemas, redes
e nós, simulacros de avatares

vanguardistas do inferno -
sem Dante ou Sartre - verbo frio

ecologistas de fastfood
sem catadores do seu luxo

e a quadrilha dos bin lacs
arrivistas da miséria alheia

ó arrimos de wall street a poesia
será sempre a morta de fome

o século perdurará
eterna noite no Phillies

tristeza, medo, esperança
contos de Sherazade

e ninguém saberá
das guerras das ditaduras

dos reis nus, sheikes, batistas


2012 foi esmerado
no enterro do século XX
Hobsbawn, Niemeyer, Dona Canô,
acaba o mundo
e o outro parece surgiu

sem extremos
sem curvas
sem cantores

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A outra face

este menino ao nascer
- ensinam velhas doutrinas -
esqueceu na manjedoura
toda fome de viver
e não há maior mentira
(como karl marx aos marxistas
superhomem aos nietzschianos
prefiro o cristo aos cristãos)
dele não só pão e vinho
aprendo também a fome
não só promessa e esperança
mas dúvida e tentação
arestas da humana vinha
embriagez que não separa
as faces da mesma moeda
barba e cabelo mendigos
olhos azuis de um skinhead

--
Enviado do meu celular

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ilustração para fotos

Ilustrações para as fotos das últimas postagens:

 Achei que seria assim:
"-- Não faz mais não! -- pediu, cuspindo água. -- Você quase me...
Afundeio-o de novo, com força, e o mantive debaixo d´água por mais tempo. Puxei-os pelos cabelos e vi seus olhos esbugalhados num apelo mudo, o rosto transtornado, a boca arfante... Empurrei-o para o fundo pela terceira vez e senti seu corpo se contorcer frenético tentando livrar-se, as mãos ansiosas arranhando-me o punho. Firmei-me na pedra, a segurá-lo sempre dentro d'água, que borbulhava ao redor de meu braço, espumando. Vi ainda um pé se erguer num coice desesperado, quebrar a superfície e desaparecer de novo. O corpo palpitante sob minha mão relaxava, sem forças, abandonado. Dei-lhe um último empurrão e me ergui, afinal. Voltei-me sem pressa, comecei a descer a montanha."
(Fernando Sabino)

Mas foi assim:  
"He cavilado mucho sobre este encuentro, que no he contado a nadie. Creo haber descubierto la clave. El encuentro fue real, pero el otro conversó conmigo en un sueño y fue así que pudo olvidarme; yo conversé con él en la vigilia y todavía me atormenta el encuentro."
(Jorge Luis Borges)