quinta-feira, 16 de junho de 2011

Travessia

O que me atrapalha a vida é escrever. E - e não esquecer que a estrutura do átomo não é vista mas sabe-se dela. Sei de muita coisa que não vi.

Não se pode dar uma prova da existência do que é mais verdadeiro, o jeito é acreditar. Acreditar chorando. Esta história acontece em estado de emergência e calamidade pública. Trata-se de um livro inacabado porque lhe falta a resposta. Resposta esta que espero que alguém no mundo me dê. Vós? É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amém para nós todos.

Tudo isso, dito numa palavra: Travessia.

A orientabilidade de um espaço refere-se à não invertibilidade (como num espelho) de uma figura que percorre esse espaço. Se a figura pode voltar ao ponto original invertida, o espaço diz-se não orientável; se não, o espaço diz-se orientável.



Enquanto isso a cigarra: "Já não sonho, hoje faço com meu braço o meu viver"

sábado, 11 de junho de 2011

Tem a ver ou é muita viagem?

Três metamorfoses, nomeio-vos, do espírito: como o espírito se torna camelo e o camelo, leão e o leão, por fim, criança.
(Nietzsche - Assim falou Zaratustra)

Meu alegre coração é triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão
("Canta Coração" - Geraldo Azevedo/Carlos Fernando)

Não lhe mostro todos os bichos que tenho de uma vez
Armo o circo com não mais do que uns cinco ou seis
leão, camelo, garoto, acrobata
e não há luar
e os deuses gostam de se disfarçar
(Antonio Cicero)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Lobão não tem razão, pelo menos enquanto houver memória

E se de repente chegassem todos de uma só vez? O que me arrancava unhas com alicate, o que me dava choques no pau, no saco, no cu, o que me afogava e me dava socos na cara, o outro, o que me fazia perguntas, além do doutor que cuidava para que eu sofresse tudo em sã consciência.

Eles chegaram todos, anos mais tarde, uma noite em que contava a história da chapeuzinho vermelho pra minha do meio, quando ela ainda era pequena. Caí em prantos. Foi repentina e dolorida a consciência de como aquelas histórias construíam a base para uma existência humana em que a tortura era possível e justificável, com base num pensamento maniqueísta de héróis e bandidos, de culpa e perdão, lobos de Roma e cordeiros de Deus. Mas pelo menos sabíamos quem era quem. O disfarce, de cordeiro ou de vovó, nunca caiu bem no lobo.

E outro dia mesmo vi-os de volta. E hoje a coisa tá mais difícil. É o cordeiro que se disfarça de Lobo, para continuar defendendo um princípio equívoco e iníquo da justiça daqueles que não têm por que lutar. Sequestraria, sim e de novo, se fosse preciso, embaixadores ou cantores de rock, para livrar os meus do terrorismo de estado e da intransigência disfarçada de livre pensar.