domingo, 13 de março de 2011

Caju

Caju é minha fruta predileta. E nunca o tinha visto com esses olhos.
Grande Vinícius! Aqui ele mostra como pode ser fácil o materialismo racional cabralino, se a poesia se limitasse a isso (o que não quer dizer que o Cabral sempre a limite a isso). Mas não: surpreende com virilidade e sarcasmo:

Soneto ao caju
(Vinícius de Moraes)

Amo na vida as coisas que tem sumo
E oferecem matéria onde pegar
Amo a noite, amo a música, amo o mar
Amo a mulher, amo o álcool e amo o fumo.

Por isso amo o caju, em que resumo
Esse materialismo elementar
Fruto de cica, fruto de manchar
Sempre mordaz, constantemente a prumo.

Amo vê-lo agarrado ao cajueiro
À beira-mar, a copular com o galho
A castanha brutal como que tesa:

O único fruto - não fruta - brasileiro
Que possui consistencia de caralho
E carrega um culhão na natureza.