domingo, 21 de novembro de 2010

Nobody Home (Roger Waters)

I've got a little black book with my poems in
I've got a bag with a toothbrush and a comb in
When I'm a good dog they sometimes throw me a bone in
I got elastic bands keeping my shoes on
Got those swollen hand blues.
Got thirteen channels of shit on the TV to choose from
I've got electric light
And I've got second sight
I've got amazing powers of observation
And that is how I know
When I try to get through
On the telephone to you
There'll be nobody home

I've got the obligatory Hendrix perm
And I've got the inevitable pinhole burns
All down the front of my favorite satin shirt
I've got nicotine stains on my fingers
I've got a silver spoon on a chain
I've got a grand piano to prop up my mortal remains
I've got wild staring eyes
I've got a strong urge to fly
But I've got nowhere to fly to
Ooooh Babe when I pick up the phone
There's still nobody home
I've got a pair of Gohills boots
And I've got fading roots.

La vie

"On fait toujours comme s'il avait quelque chose de plus important que la vie. Mais quoi?" (Albert Camus)

Geraldo Filme - antologia mínima

Negro falava de umbanda
Branco ficava cabreiro
Fica longe desse negro
Esse negro é feiticeiro
Hoje o preto vai à missa
E chega sempre primeiro
O branco vai pra macumba
Já é Babá de terreiro

Vá cuidar da sua vida
Diz o dito popular
Quem cuida da vida alheia
Da sua não pode cuidar
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Vocês é que nada sabem do que vai pelo sertão
Menina quando é bonita é presente pro filho do patrão.
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na hora em que eu nasci
mamãe me jogou na pista
"se cair deitado é padre, caiu de pé é sambista"
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Na escola de samba
aprende a rir,
aprende a sofrer,
aprende a chorar
mas não sabe ler
doutor qual o seu destino será?
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Quero ser sambista
Ao renascer de novo
Pra cantar a alegria
E desventura de meu povo
Quero ter muitos amigos
Como tenho atualmente
Cantar samba na avenida
E nascer negro novamente
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São Paulo, menino grande
Cresceu não pode mais parar
E o pátio do colégio quem lhe viu nascer
Um velho ipê parece chorar
Não tem a sua mãe preta
Na rua com seu pregão
Cafezinho quentinho, sinhô,
Pipoca, pamonha e quentão.
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Quem nunca viu o samba amanhecer
vai no Bexiga pra ver, vai no Bexiga pra ver

O samba não levanta mais poeira
Asfalto hoje cobriu o nosso chão
Lembrança eu tenho da Saracura
Saudade tenho do nosso cordão

Bexiga hoje é só arranha-céu
e não se vê mais a luz da Lua
mas o Vai-Vai está firme no pedaço
é tradição e o samba continua.

sábado, 20 de novembro de 2010

De como ocupar o lugar do morto


à memória de Angelo Colombo


se uns mortos nos dão vida
vivos há que só assombram

nuns a fava a falha do neto
que guarda em si um avô
fica não no jeito do gesto
no traço do resto mas na gíria
nos hábitos à revelia no ímpeto
da juventude na poesia contra
sisos e tinos ganas de abrigar
nas salas vip da memória
o café com a prosa da cozinha

pedras
e galinhas do quintal


mas jabuti cágado poeta
laureado tia rica visita ilustre
que toma assento na sala principal
estofador faxineira cobrador todo
douto que nos adentra quarto
e dor vizinho que perdeu a chave
a filha mãe de família a quem faltou
sal sabão vergonha e fósforo
esses nos assombram sem pena

até na
conclusão do poema

Dois poemas novos


Fetiche

(Para a Aline)

Amanhã ele vem me frequentar
Fou fazer jantinha leve
Passo lavo cozinho
Ensopo a jardineira

E depois... Meu Deus, Você nem imagina
Me bate na cara me cospe me goza
Mas vou exigir:
- Putinha safada não! Putinha safada não!
Me chama de Adélia Prado.



Circo de horrores

Morreram de overdose sim
Mas não são heróis ou são
Heróis de porra nenhuma
Outros já pelos 70 pelas
Tabelas ainda vão morrer
Nem por isso

Meu herói mesmo
É o Fiuk - como eu
Tem avô mas não tem pai

Road movie


é horizontal este poço:
perpassa a história de minha morte
é horizontal este poço:
estrada sem fundo
vértice dos vértices
é horizontal este poço:
ventríloquo de ventres insaciáveis,
consome o caminho,
de caminhoneiros e motoristas
sem tino - retinas sem luz.
é horizontal este poço:
horizonte fundo
ereto, vertical e sólido
rente ao vento do pranto
de viúvas, órfãs e irmãs:
meigas paisagens de acostamento

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Lado B

Balança o Maracá
Dança da redenção
Raio da vida raiar
Fonte a escorrer
Rio de transbordar
Jorro de alma jorrar
Esse ritmo dentro da noite
Quando a música e o pensamento
Forem um só
Forem o Sol
(Essa alegria - Lenine)

De um novo mundo eu sou
E um mundo novo será mais claro
Mas é no velho que procuro o jeito mais sábio de usar
A força que o sol me dá, canto
(Solar - Milton Nascimento)

Um dia quero mudar tudo no mundo
No outro eu vou devagar,
Um dia penso no futuro
No outro eu deixo prá lá,
Um dia eu acho a saída
No outro eu fico no ar,
Um dia na vida da gente,
Um dia sem nada de mais,
Só sei que eu acordo e gosto da vida
Os dias não são nunca iguais!
(Bom dia - Swami Jr / Paulo Freire)

Quero viver a vida
Ir pra avenida com a multidão
Braço e abraço Mão na mão
Todo mundo é meu ir... mão
Noite ou dia é tudo igual
(Alegria Carnaval - J. Aragão e N. Barros)

Quem se salva nessa brasa, quem acende um fogo novo
Cruza a crise, colhe a calma
Alegra a alma desse povo
Vive em paz e harmonia
Abre a porta da alegria
Amor, meu amor, minha vida
Meu sonho, meu caso
Te amo, te adoro, contigo eu me caso
Agora aqui fora ou dentro de nós
Na dança, na lança, na tranca
Trocando carícias
Cantando ou calados
Curtindo delícias
Querendo, sabendo, vivendo em paz
(Vivendo em paz - Tuzé Abreu)

Alegria
Pra cantar a madrugada
As morenas vão sambar
Quem samba tem alegria
Minha gente
Era triste amargurada
Inventou a batucada
Pra deixar de padecer
Salve o prazer
Salve o prazer
(Alegria - Assis Valente / Durval Maia)

O samba tem feitiço
O samba tem magia
Não há quem possa resistir
Ao som de uma bateria
É lindo a gente ver
O samba amanhecer
Cheio de poesia
Com o sol aparecendo e a lua indo embora
E a lida tão sofrida vem pra rua
Mas enquanto houver samba a alegria continua
A alegria continua, a alegria continua...
(Mauro Duarte/Noca da Portela)

Vou dormir querendo despertar
Pra depois de novo conviver
Com essa luz que veio me habitar
Com esse fogo que me faz arder
Me dá medo e vem me encorajar
(Escravo da alegria - Toquinho/Mutinho)

Y dale alegría, alegría a mi corazon
Es lo único que te pido al menos hoy
Y dale alegría, alegría a mi corazon
Afuera se irán la pena y el dolor
Y ya veras, las sombras que aquí estuvieron no estarán
Y ya, ya veras, bebamos y emborrachemos la ciudad
(Y Dale Alegría a Mi Corazón - Fito Paez)

Eu vou te dar alegria
Eu vou parar de chorar
Eu vou raiar o novo dia
Eu vou sair do fundo do mar
Eu vou sair da beira do abismo
E dançar e dançar e dançar
A tristeza é uma forma de egoísmo
(Alegria - Arnaldo Antunes)

Nós estamos inventando a vida,
Como se antes nada existisse,
Porque nascemos hoje do nada,
Porque nascemos hoje pro amor.
Nós estamos descobrindo os corpos,
Como a manhã descobre as imagens.
Como o amor descobre a verdade,
Como a canção descobre uma flor.
Nós queremos desvendar há tempo,
Esse mistério azul de oxigênio,
Esse desejo imenso de sexo,
Essa fusão de angústias iguais.
E nós vamos resistir sem medo,
A solidão de um tempo de guerras,
E nossos sonhos loucos e livres,
Vão descobrir e celebrar a paz!
(Geração 70 - Taiguara)

sábado, 6 de novembro de 2010

Só agora vejo crescer em mim as mãos de meu pai



Mapa Astral

Sinto que o mês presente me assassina
Mário Faustino

Sinto que o mês presente me assassina
as aves atuais nasceram mudas
e o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul de luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
corro despido atrás de um cristo preso,
cavalheiro gentil que me abomina
e atrai-me ao despudor da lua esquerda
ao beco de agonia onde me espreita
a morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina
e o temporal ladrão rouba-me as fêmeas
de apóstolos marujos que me arrastam
ao longo da corrente onde blasfemas
gaivotas provam peixes de milagre.
Sinto que o mês presente me assassina,
há luto nas rosáceas desta aurora
há sinos de ironia em cada hora
(na libra escorpiões pesam-me a sina)
há panos de imprimir a dura face
à força de suor, de sangue e chaga.
Sinto que o mês presente me assassina,
os derradeiros astros nascem tortos
e o tempo na verdade tem domínio
sobre o morto que enterra os próprios mortos.
O tempo na verdade tem domínio,
amen, amen vos digo, tem domínio
e ri dos que desfere verbos, dardos
de falso eterno que retornam para
assassinar-nos num mês assassino.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Daniel Lins: Alegria como força revolucionária

Excelente Café Cultural:

"A alegria é o que vai definir o sujeito. Mas a alegria não trabalha com o sujeito. O sujeito na alegria são blocos de afetividade. São sempre coletividades. São sempre matilha, como os cães. E a alegria não trabalha com essa singularidade focalizada. O sujeito é sempre o sujeito matilha, o sujeito multidão, o sujeito massa (...) Não desvaloriza o sujeito nem o coloca numa posição assujeitada."

"Eu bem que gostaria de, todas as manhãs, sentir que o que vivo é grande demais para mim, porque seria alegria em estado puro. Mas deve-se ter a prudẽncia de não exibi-la, pois há quem não goste de ver pessoas alegres." (Deleuze)

"Prudência para não afugentar os devires." (Deleuze)

A bailarina só pode dançar na alegria e a alegria não é em geral o lugar da consciência. Ela tem que ser uma produtora da inconsciência e ela, bailarina, para poder voar tem que perder os órgãos. dar um tempo a esse corpo que é maravilhoso, mas está controlado pelos organismos.

É muito difícil ficar feliz se você tiver o tempo todo a consciência presente. Se a consciência abafar o seu bom delírio, a sua alegria, dificilmente você vai investir no não investimento - o não investimento é entrar no delírio do poeta, no delírio do contemplador.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Grafite fotografado


Duas fotos do Jeff, com um bilhete: "Hoje (02/11/2010) arrumando meus arquivos para fazer backup me deparei com essas fotos que tirei para vc em 2006 e nunca lhe enviei..."

Agradeço, quae sera.