sábado, 29 de maio de 2010

Dois não pares

Para o André e a Carol

onde como acalma o tremor do incerto síndrome de abstinência da razão porto seguro dos confidentes sem fé em deuses dos que não dançam a quem sobra a peregrinação energúmena dos cabeça a romaria sem boca os anagramas do império dos sentidos contra um chato um bobo siso só para não ceder ao choro ao abraço ao refúgio último exílio único corpo para quem não tem à mão escrita só a fala zanza banzo de lapa babel e a pergunta o que farei com esta língua da boca ao cu da pedra à pele do papiro ao chip foder e escrever únicas libertações do precário entre extremos tiranos dão e tiram o resto brinquedo de estetas o resto da roda ao clipe do cosmo ao quanta silêncio

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Uma epígrafe abandonada

1o. motivo da rosa (Mário Faustino)

Da rosa somente a pétala inconsútil
Inamissível lembrança
Onde o perfume a cor incompassiva?
A beleza é apenas a passagem divina
Impiedosa e fugaz.

Desisti a tempo, mas pensara nesse texto para epígrafe do Anacrônicas. Vejo isso numa anotação de 18/08/05 . Diário revisitado.

O poema não é bom. É didático. Mas seu tema é incorporado ao meu texto. A rosa na garrafa de coca-cola. Acho que essa imagem me veio como uma daquelas ilustrações do Elifas Andreato, num livro do Roberto Drummond, da Ática. DJ? Procuro mas não acho. E fico sem saber se existe mesmo ou foi sugestão por falha (boa) da memória. Faz falta uma coleção como aquela da Ática. Assim como a "Cantadas literárias". Ah! Tão anos 7O o AnaCrônicas . Foi a Claudinha (Chigres) a primeira a observar isso.

É, sim, um livro entre o Construção e o The Wall .

Talvez venham aí os anos 80. Um livro novo, meio festa ploc?

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Biblioteca Parque de Manguinhos

Há meses, selecionei alguns (poucos) fragmentos de textos, considerando os temas da periferia urbana, da discriminação social e racial, e da identidade na literatura brasileira em três frentes: autores canônicos, autores contemporâneos identificados no atual movimento "literatura marginal, e autores de Manguinhos, a maioria ligada ao Pré-vestibular Comunitário do bairro, movimento com o qual venho colaborando voluntariamente, desde 2001, através da organização de Saraus Poéticos para a formação literária dos alunos.

O resultado da seleção virou um post recente nesse mesmo blog. Mas foi originalmente feita com o intuito de "decorar" (?!), com os fragmentos, o prédio da Biblioteca Parque que estava para ser inaugurada na época.

Alguns textos passaram pela peneira, outros não. Outros ainda, que entraram, não fui eu quem sugeri (Chacal, Manoel de Barros, gente muito boa, mas que não fazia parte do enredo do meu samba - do de Sérgio, talvez [o Cabral, e não o Porto]).

Outro dia passei pela Biblioteca. Ainda não estava inaugurada e só o seria, de fato, 29 último. Mas os textos figuravam lá, decalcados no blindex e um deles, do Alan da Rosa, grafitados num livro de madeira gigante.


(O texto, que está no belíssimo livro Vão, das edições Toró. Que era pra ser a editora dos primeiros tombos da biblioteca. Mas tenho que ver se já está lá.)

(O livro, idealizado pela NIdéias (assim como todo o "cenário) e grafitado pelo pessoal do Toquinho.)



Acho que já está na hora de eu estudar mais fotografia do que literatura. Não que eu saiba muito sobre esta - tenho só efeito da estrada - mas sou uma negação naquela. As fotos a seguir ficam só para registrar o fato.

PS: Se alguém puder me explicar como tirar fotos de um vidro enorme sem a paisagem comenta aí (com uma maquiniha daquelas de que os profissionais escarnecem) . Agradeço.




(Gabrie, Lu e Clarice, com o prédio ao fundo)


(Vista enviesada das janelas)


Um Chacal. Na época dessa história, valeu-me uma antiode.


(André da Silva - grande amigo e ex-aluno do PVCM. Os prédios do PAC espelhados nas letras são "por demais fortes, simbolicamente, para eu não me abalar")


(Um trecho do "Terrorismo literário", do Ferréz. Passou. Ufa!)

Crítica sobre Urânia

Curtas Série 6 - Mostra Panorama: Urânia, Pendular, Vigília do Amor, Avenca, História Triste de uma Praieira e Rio de Mulheres

Urânia, de Felipe David Rodrigues, Oswaldo Martins e Alexandre Faria

por Leonardo Amaral

Urânia é uma experiência de forma, seja através da palavra, ou esteticamente por meio das imagens, em planos fechados e animações.Urânia também seria o caminhar em direção ao misterioso,a um novo. Eis uma narração em off que acompanha a sucessão de imagens, palavras narradas (ou declamadas) pelo seu próprio autor, que é também um dos diretores do filme. Felipe David Rodrigues, Oswaldo Martins e Alexandre Faria tem o mérito de não realizar um filme que se escravize apenas à poesia, a imagem poética recursive, quase retórica. O curta trabalha na justaposição de imagens que não procuram ilustrar as palavras, não existe obviedades nessa experiência de cinema.

*Visto na 13 Mostra de Cinema de Tiradentes.

In: http://www.filmespolvo.com.br/site/eventos/cobertura/919