quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dá-lhe Saramago

Mais um romance-ensaio (mas também um ensaio de romance). O ponto de partdida não poderia ser melhor. Caim é o personagem bíblico ideal para confrontar deus. Ousadia maior se fosse Eva, mas careceria de malabarismos de verossimilhança que não ficaram tão forçados para andarilho assinalado. Como romance, é esse aspecto do destino do personagem que parece pesar. Fica repetitivo (apesar de engenhoso) o recurso das viagens no tempo-espaço. A volta para Lilith também se justifica pouco - o filho, a cidade... - e a nova saída para o encontro final, com Noé também ficou pouco plausível.
Afora isso - o romance que não o é - Caim é um belíssimo ensaio, um divertido deboche e uma grande porrada na tradição judaico-cristã. Soma-se ao Evangelho segundo Jesus Cristo, no esforço louvável de converter crenças e ritos da dita civilização ocidental em belos e estéticos mitos.