terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nova América

A praça de alimentação dos shoppings guardam estreitas conexões com os refeitórios das antigas fábricas. Os olhos nervosos em busca do bom assento, as filas contritas em bandejões de operários do consumo.
Cum-edere artificial, longe dos olhos da fome, onde o outro marca presença apenas como espelho do desejo: pratos, roupas, sacolas, bocas...
...bocas abertas que aquiescem, com a calma eufórica dos fiéis, ao garfo-hóstia
ao naco de desespero nosso de cada dia.
Às vezes vejo velhos casais, aproveitando sórdidos a politicamente correta 3a. idade, nesses refeitórios, e temo pelos adolescentes refestelados na junk food, sem camisinha. Eles não chegarão ao ouro daquelas bodas.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Cudado com o que pode vir pela frente

"A lição do terror que ela [a Inconfidência Mineira] encerra, a lição do atraso de um século que estagnou a ascensão de nosso povo. Qualquer estouvamento idealista, qualquer sofeguidão sectária, qualquer provocação, por bem intencionada que seja, pode bulir com o sarcófago recente da ditadura [estamos em junho de 1945!] e acordar seus gênios protetores. Não nos esqueçamos da vocação absolutista que persegue nosso destino. Ela pode, de novo, nos jogar nas catacumbas políticas, onde tantos mártires de nosso progresso social deixaram seus dias heróicos ou perderam suas vidas necessárias."
"A lição da Inconfidência", Oswald de Andrade

Caetaneando

Os portugais não morrem à míngua, nem é possível mangueira cantar, se o lema é o tão pessoal, luso-pessoano, minha pátria é minha língua.
A mulatice nata no sentido lato-narcísico carece de Oswald: "Mulatos são os próprios portugueses, desde logo atingidos no seu surto descobridor pelas vitaminas da mestiçagem (...) E só quando, levado pelo absolutismo, deu de ser paradoxalmente um povo racista, eliminando de seu corpo civil o judeu, perdia a substância hegemônica que o fazia liderar três continentes."
E de Sérgio Vaz:
"Contra o artista serviçal escravo da vaidade (...) A arte que liberta não pode vir da mão que escraviza. "
E da fala cafona de um operário 4a. série primária, relíquia do Brasil, na presidência.

domingo, 8 de novembro de 2009

Festa Ploc

Agora, espécie especial de despedida. Última forja de alegria e descontração entre copos e corpos amigos. Etilismo com bafão de elitismo ou de bas-fond. Frequentei a ambos, muito, bem, obrigado.

Amanhã, caminhada matutina, saladinha com frango grelhado, suco de frutas sem açúcar...


e de quebra um prozac para segurar a onda desse tremor de carnes que precede a essência


quem sabe, à tarde, um passeio no shopping?