quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Que bom te ver viva

Esse é o título de um filme, de Lucia Murat, importante para se conhecer melhor nossa história recente (por isso mesmo não deve estar disponível em DVD). O filme aborda a experiência de mulheres torturadas durante a ditadura militar no Brasil. A frase-título evidentemente refere-se ao drama das sobreviventes, cuja tensão está de certa forma no fato de terem sobrevivido.
Mas uso aqui a mesma expressão como título desse post com o pensamento em alguns personagens que passaram pelos anos 80. A ditadura foi ficando mais civil que militar. E os malucos da época achavam que estavam segurando a onda, mas não era onda, era a ressaca inteira. Acompanhada da típica dor de cabeça, da fotofobia e de outras formas do controle e truculência. Polícia, caretice e aids. No entanto se engana quem julga perdida uma geração que contou com Cazuza, Caio Fernando Abreu, ou Cássia Eller, para ficar só com os nomes da letra C.
O caso é que vi hoje Angela Ro Ro numa entrevista para Marília Gabriela. Brava remanscente daquele time, ainda está aí e poderá contar (se resolver se aventurar pela escrita) de um ângulo sui generis aquela coisa toda*. Não sei se a Marília Gabriela ainda acha, nessa altura do campeonato, que os caretas não são capazes de pirar. O fato é que a primeira pergunta indicava que o novo (e vital) compasso da Ro Ro (é o que faz meu animal ser gente) era uma ausência de loucura.
"Deixou de ser louca?" Era mais ou menos a pergunta. Ao que a contora, mais viva do que nunca, respondeu: "Loucura é criatividade, ousadia, questionamento. Deixei de ser alcoólatra, ‘toxicômana’ e tabagista de plantão. Foram 56 kg que eu perdi. Estou mais sadia, mas a loucura me orienta."
E é bom te ver viva, Angela!

*Vê, Montenegro: nem sempre a gente se engana com a nossa loucura.

Remington 22


animals, nina, roro, esmeralda, lauper, aquino etc ect

Oh Lord, please don't let me be misunderstood

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Vote em mim

"Anda: só há porvir e o sim pare sinais. Teme, mas o canino da arteria não tires. Atira-te, que é certo o amparo dos vãos. Ergue-te e ama."

enviei esse textículo ao "II Prêmio Literatura No Celular" da Fliporto. (http://fliporto.golmobile.com.br/ ) Até domingo, dia 25 ele poderá receber votos. Se você gostou e quiser dar uma força, é só enviar um torpedo** de um celular Oi para 48333 com mensagem COD0215 .

** Segundo o site promotor, a votação é gratuita.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

O fascismo está crescendo

"Que Ratzinger tenha a coragem de invocar Deus para reforçar seu neomedievalismo universal, um Deus que ele jamais viu, com o qual nunca se sentou para tomar um café, mostra apenas o absoluto cinismo intelectual."

"As insolências reacionárias da Igreja Católica precisam ser combatidas com a insolência da inteligência viva, do bom senso, da palavra responsável. Não podemos permitir que a verdade seja ofendida todos os dias por supostos representantes de Deus na Terra, os quais, na verdade, só tem interesse no poder".

Perguntado se o pouco compromisso dos escritores e intelectuais poderia ser uma das causas da crise da democracia, o escritor disse que sim. Porém, disse que este não seria o único motivo, já que toda a sociedade encontra-se nesta condição, o que provoca uma crise de autoridade, da família, dos costumes, uma crise moral em geral.

Saramago destacou que o fascismo está crescendo na Europa e mostrou-se convencido de que, nos próximos anos, ele "atacará com força". Por isso, ressaltou, "temos que nos preparar para enfrentar o ódio e a sede de vingança que os fascistas estão alimentando".

(José Saramago) fonte



O Gabriel, do grêmio

Ontem encontramos o Gabriel no shopping, esposa e filha. Ele teve a delicadeza de , ao me apresentar: "este foi o autor da peça... o título da peça não lembro" foi sincero. E eu prontamente ajudei sua memória: "Auto do apocalipse". E eu poderia retribuir, se houvesse a quem apresentá-lo, posto que a Maura é dessa turma: "Este foi o presidente do primeiro grêmio estudantil criado na rede pública estadual após o fim da ditadura" (período em que os grêmios ficaram proibidos). Estima-se a idade dessas personagens! Mas não a juventude, que se renovava conforme íamos lembranando das pessoas, o Soldado, o Luiz Carlos (eu me abstenho!), o Ecio (com quem terei o prazer de dividir uma mesa-redonda em breve, na Semana de Letras da UFJF) e dos eventos, o acampamento para ocupar o Pátio Doce, o Noite Maldita, a eleição para diretor, do Auto do Apocalipse.

Cada um mereceria um post em separado, pois assim, mencionados apenas, os eventos e as pessoas viram cifra para quem viveu. De certa forma é isso uma das delícias do lembrar. Não reconstituir histórias e ter a pretensão de dar conta de um passado para quem não o conheceu, mas recriar emoções e sentidos através de pequenas tiradas, frases-senha, cifras. Enfim, talvez o texto da memória, com mais ou menos detalhes, seja sempre cifrado. Alcança-o melhor quem se re-des-cobre.

PS: Há uns anos andei postando por aí as fotos do Auto do Apocalipse que escaneei. Vou ver se descubro onde estão e as coloco aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Tália, de Jean-Marc Nattier

Fwd: fotos - Ressascas no Rio


Recebi num e-mail da Sônia. Belas fotos e no texto, o Lima de sempre!

"A última e formidável ressaca que devastou e destruiu grande parte da Avenida Beira-Mar merece considerações especiais que não posso deixar de fazer. (...) os grosseiros homens do nosso tempo, homens educados nos cafundós escusos da city londrina ou nos gabinetes dos banqueiros de Wall Street não lhe quiseram ver a grandeza (do mar) e trataram de explorá-lo. De há muito que ele havia marcado os seus limites com a terra; de há muito ele dissera a esta: o teu domínio pára aí e daí não passarás. (...) Tais homens, porém, a pretexto de melhoramentos e embelezamentos (...) trataram de estrangulá-lo, de aterrá-lo com lama.

O mar nada disse e deixou-os, por alguns meses, enchê-lo de lama. Um belo dia, ele não se conteve. Encheu-se de fúria e, em ondas formidáveis, atira para a terra a lama com que o haviam injuriado." LIMA BARRETO - crônica de 1921 na revista Careta


Ressaca na avenida Atlântica em 1921, com a destruição da calçada


A grande ressaca na praia do Flamengo, em 8 de março de 1913, que isolou o Palácio do Catete.


Ressaca cais do Mercado Municipal


Ressaca na avenida Beira-Mar, vista do alto

Ressaca na avenida Beira-Mar, década de 10


Ressaca na avenida Atlântica, década de 60


Ressaca na avenida Atlântica, década de 60